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Espanha pede mais ação do BCE

Um ministro espanhol pediu ao Banco Central Europeu (BCE), na sexta-feira, que se esforce mais para conter a crise da dívida soberana, depois que o custo de securitização dos bônus do país contra um "default" subiu para um patamar recorde.
"É um grande erro do BCE ser tão restritivo no momento", disse Jaime Garcia-Legaz, vice do ministro da Economia Luis de Guindos, em uma entrevista ao canal de televisão "La Sexta". Seus comentários foram feitos depois que autoridades do BCE se mostraram divididas quanto às medidas a serem tomadas para conter a crise, em meio às crescentes expectativas de que a Espanha será o próximo membro da zona do euro a buscar socorro financeiro.
Números divulgados na sexta-feira mostraram que os empréstimos tomados pelos bancos espanhóis junto ao BCE aumentaram quase 50% em março, alcançando o volume recorde de € 316,3 bilhões. Os bancos contraíram quase um terço dos empréstimos de longo prazo oferecidos a instituições financeiras da zona do euro. Isso foi interpretado pelo mercado como mais um sinal de que os investidores internacionais deixaram a quarta maior economia da região à mercê dos financiamentos do BCE. O resultado foi uma depreciação de 3,58% do índice espanhol de ações Ibex 35 na sexta.
O primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, está se esforçando para convencer os investidores de que poderá controlar as finanças do país, depois de ter se recusado a cumprir com a meta de déficit fiscal estabelecida pela Comissão Europeia e pelo governo anterior.
Rajoy disse na semana passada que a Espanha não precisará ser resgatada, mas os contratos de "Credit Default Swaps" (CDS, seguro contra calote) chegaram a subir 17 pontos-base, para 498 pontos, em Londres na sexta-feira, superando a alta histórica de fechamento de 493 pontos-base, segundo a CMA. O rendimento dos bônus de dez anos da Espanha subiram 16 pontos-base, para 5,96%, aproximando-se do nível de 7% que forçou Grécia, Irlanda e Portugal a buscar socorro.
Os comentários de Garcia-Legaz vão além dos do primeiro-ministro espanhol, que vem elogiando repetidamente as medidas extraordinárias de liquidez do BCE. O ministro do Orçamento Cristobal Montoro aludiu na sexta-feira à "importância do papel" das instituições europeias no combate à crise.
Mesmo assim, as autoridades do BCE têm buscado se esforçar para criar uma frente unida para decidir o que fazer em seguida, uma vez que os investidores estão se desfazendo dos bônus espanhóis em meio a temores renovados com os ativos ruins dos bancos do país.
Benoit Couere, membro do conselho executivo do BCE, sinalizou na semana passada que o banco poderá começar a comprar bônus espanhóis. Mas seu colega holandês Klaas Knot disse depois que o BCE está "muito longe" de reativar uma política que não conseguiu impedir uma onda de vendas de bônus espanhóis em novembro.
"Espero que nunca mais tenhamos de usá-la novamente", disse Knot em Amsterdã.
Os rendimentos dos títulos espanhóis passaram pela última vez dos 6% em agosto passado, o que levou o BCE a começar a comprar bônus. Eles atingiram 6,78% em novembro, antes de o presidente do BCE Mario Draghi afirmar que o banco iria oferecer empréstimos ilimitados por três anos para as instituições financeiras. Essa medida ajudou a controlar os custos dos empréstimos para a Espanha, uma vez que os bancos usaram os fundos do BCE para acumular bônus do país.
As posições dos bancos espanhóis em títulos de dívida do governo saltaram de € 178 bilhões em novembro para € 220 bilhões em janeiro, segundo dados do Tesouro. A média dos empréstimos líquidos contraídos pelos bancos espanhóis junto ao BCE subiu de € 152,4 bilhões em fevereiro para € 227,6 bilhões no mês passado, segundo informou o Banco da Espanha em sua página na internet. Em termos líquidos, eles responderam por mais de 60% do volume contraído pelos bancos dos demais países da zona do euro.
Garcia-Legaz também lembrou aos cidadãos espanhóis que eles precisam aceitar as medidas de austeridade aprovadas pelo governo de Rajoy, que vem cortando os gastos públicos, aumentando os impostos e adotando medidas para reorganizar a economia desde que ele assumiu o poder em 21 de dezembro.
Os espanhóis "não deveriam cometer o erro de pensar que todos os nossos problemas se devem ao fato de estarmos sendo apertados pelo BCE ou pela Alemanha", disse Garcia-Legaz. O governo precisa implementar cortes no orçamento, uma vez que a Espanha passa por uma situação de "emergência".
Fonte: Valor Econômico/ Agências Internacionais - 16/04/2012


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