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Juros, financiamento da dívida e o nó da poupança

O cálculo da remuneração da caderneta de poupança é visto pela maioria dos analistas de mercado como um limitador para uma ação mais agressiva do Comitê de Política Monetária (Copom) nos próximos meses. Mas profissionais insistem que a história é mais complexa. Com a poupança fortalecida, fundos de investimento seriam duramente afetados, caso o governo não enfrente, e vença, o que todos consideram uma dura batalha no Congresso para mudar a regra de correção da poupança.


Marcelo Kfoury, economista-chefe do Citibank no Brasil, pondera, inclusive, que o financiamento da dívida pública poderia ser comprometido.
José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator, aponta uma dificuldade particular decorrente da manutenção da regra atual de rendimento da poupança: a elevação dos depósitos sem que as instituições tenham como usar esses recursos nos setores estabelecidos em lei. "Assim, certa desvinculação entre origem e destino dos recursos da poupança é necessária em conjunto com uma regra de remuneração que não crie limites nominais para ela mesma", explica.


Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, concorda que a poupança inibe a queda da Selic porque o governo "já jogou a toalha" e não quer entrar na briga pela mudança do cálculo. "O próprio governo não quer comprar essa briga e, assim, o juro real de 2% como desejo expresso da presidente Dilma nunca será alcançado."
Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, não vê o problema. Para ele, o rendimento da poupança "não é e nunca foi" impedimento para a queda da Selic. "O ofício do BC é proteger o valor da moeda e não focar na rentabilidade das aplicações.


A obrigação de equacionar um possível problema de rentabilidade dos demais ativos em relação à poupança cabe ao Ministério da Fazenda e a saída não é tão complicada, visto que parte da solução está em desonerar a cunha fiscal das demais opções de investimentos. Afinal, quem aguenta pagar IR de 22,5% numa aplicação com liquidez até 180 dias?", pergunta Agostini.


Fonte: Valor Econômico/ Angela Bittencourt -13/04/2012

 


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