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Cartão de loja perde espaço e aperta varejista

Instrumento essencial para estimular as vendas, e também para gerar receitas financeiras, os cartões de lojas estão perdendo espaço entre os meios de pagamentos escolhidos pelo consumidor na hora de pagar a conta. Na Lojas Renner, que criou seu plástico nos anos 70, a fatia estava em 54,2% no último trimestre. Embora ainda elevada, está se distanciando dos 67,2% que atingiu em 2007.
Em outras redes o comportamento é similar, como Marisa e Magazine Luiza, onde cresce a participação de outros meios, em especial os cartões de créditos t radicionai s , que podem ser aceitos em qualquer estabelecimento comercial que trabalhe com determinada bandeira, enquanto os de lojas tem uma atuação mais restrita.
Na Marisa, a participação dos plásticos próprios encolhe em ritmo ainda mais acelerado: era de 40,5% no quarto trimestre de 2011, ante 45,4% em igual período de 2010. Já no Magazine Luiza, o recuo foi de 35% para 31%. Procuradas, as três varejistas não comentaram o assunto.
?O cartão ajuda a aumentar os gastos do cliente na loja. As varejistas foram pioneiras com esses cartões, que em grande parte substituíram os carnês, no momento em que muitos clientes não tinham outras alternativas para compras parceladas?, avalia a analista do BB Investimentos, Priscila Tambelli.
Esse cenário, no entanto, mudou. Antes afastados do sistema bancário, as classes sociais emergentes viraram alvo dos grandes bancos e possuem agora acesso mais fácil ao crédito. ?A queda no uso nos cartões de loja pode acarretar uma queda, a médio prazo, no próprio resultado dessas empresas?, avalia o professor de Finanças da Fundação Getúlio Vargas (FGV), César Caselani.
A preocupação com o resultado das empresas é justificado pela representatividade que os serviços financeiros atingiram no segmento. No Magazine Luiza, as receitas provenientes das operações de financiamento ao consumo, venda de seguros e administração de consórcios representaram 9,7% da receita líquida total (a operação de financiamento ao consumo e serviços financeiros é feita em parceria com o Itaú Unibanco.
Na Marisa, esse recuo começa a aparecer nos resultados. A participação dos cartões e em préstimos feitos nas lojas foi de 24,2% do resultado consolidado do quarto trimestre de 2011, ante 24,9% em 2010.
Para evitar a queda nessas receitas, as varejistas buscam meios de elevar a utilização dos cartões próprios em suas lojas e também emitem plásticos com bandeiras, em geral Visa ou Mastercard. Dessa forma, mesmo que o cliente utilize o cartão em outro estabelecimento comercial, a varejista garante ainda uma pequena receita referente a sua utilização.
A Marisa, que emite seus cartões em parceria com o Itaú, já iniciou o processo para colocar bandeira nos cartões. O mesmo faz a Renner que, segundo o relatório de resultados, acredita que a emissão de plásticos com bandeira contribuirá para que os cartões da loja recuperem o espaço perdido no mix dos meios de pagamento. Isso é essencial porque é nesse meio que o gasto do consumidor é maior. O valor médio das compras no quarto trimestre de 2011 foi de R$ 110,37 — mas considerando apenas o cartão Renner, o tíquete sobe para R$ 155,78.
Outra empresa de varejo que tem parceria com o Itaú para a emissão de cartões é o Grupo Pão de Açúcar — com exceção das Casas Bahia, que tem acordo com o Bradesco. No entanto, a companhia não revela a participação dos plásticos próprios e de terceiros na composição de vendas.


Fonte: Brasil Econômico/ Ana Paula Ribeiro - 13/04/2012

 


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