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Brasil encara a dura missão de crescer mais de 3%

O Brasil dificilmente conseguirá crescer mais do que 3% neste ano, ao contrário do que tem afirmado com frequência o ministro da Fazenda, Guido Mantega. A avaliação é de uma pesquisa global da Ernst &Young (E&Y), divulgada com exclusividade ao BRASILECONÔMICO.
A retração do mercado europeu, combinada ao menor apetite asiático por commodities — que pode reduzir drasticamente as receitas do país com exportação — são os principais fatores de preocupação.
Esses sinais amarelos fizeram com que a consultoria revisse para baixo suas projeções de desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro de 4,5% para 3,1% neste ano.
Pelos cálculos da E&Y, o Brasil deve ter crescido apenas 2,8% ao longo do ano passado. A perspectiva anterior era de que o PIB brasileiro tivesse elevação de 3,8% em 2011. O resultado fechado referente ao ano passado será divulgado em março pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Mas nem todas as notícias são negativas. A consultoria observa que o Brasil tem se mostrado bastante resistente às crises, principalmente quando comparado às demais nações emergentes. Isso se deve à melhora das finanças públicas e às robustas reservas cambiais, que já ultrapassam US$ 354 bilhões.
O principal fator positivo, entretanto, é a força do mercado interno. Vitaminado por crédito e novas rodadas de redução da taxa de juros, ele pode ajudar a amortecer os efeitos da turbulência e fazer com que o PIB volte a crescer na casa dos 5% já a partir de 2013.
“Acreditamos que o consumo Interno e o aumento do investimento em infraestrutura vão reduzir os impactos, mas não há dúvidas de que a economia brasileira já desacelerou nos últimos meses”, diz André Viola Ferreira, sócio-líder de mercados estratégicos da Ernst & Young.
Outras consultorias, porém, revelam que a retração econômica ainda não tem sido capaz de reduzir o otimismo dos líderes empresariais.
Um levantamento inédito da Grant Thornthon realizado com mais de 11 mil empresas em 40 países mostra que as perspectivas são bastante animadoras para o Brics, com destaque para o Brasil. O bloco reúne também Rússia, Índia, China e África do Sul.
O estudo indica que,na média, 34% dos empresários do bloco acreditam em crescimento econômico neste ano. No Brasil,elessão74%. “O país,tido como a bola da vez há um bom tempo, parece querer finalmente se apropriar desse título. Por isso, há tamanho otimismo e confiança”, acredita Leandro Scalquette, sócio da Grant Thornton Brasil.
A crônica escassez de mão de Obra qualificada em diversos setores faz com que o Brasil encabece a lista quando se trata de aumento real de salários. De acordo com a pesquisa, 40% dos empresários projetam ganhos acima da inflação para os funcionáriosem2012.
Índia,China e Rússia registraram, respectivamente, 35%, 15% e 4% nesse quesito. “Esse indicador é reflexo direto do apagão de talentos generalizado pelo qual o país vem passando”, diz Scalquette.
Uma preocupação comum entre o Brics é o controle da inflação. E a boa notícia é que o Brasil fica em terceiro lugar, com Índia e Rússia à frente. Enquanto 94% dos empresários indianos e 80% dos russos acreditam que a alta dos preços pode atrapalhar o crescimento de seus países, esse percentual é de 66% por aqui.
“Ainda assim pode parecer muito,mas indica apenas que o tema está permanentemente no radar dos empresários pela sua importância e pelo histórico de altas taxas no Brasil”, pondera Javier Martinez, responsável pela pesquisa da Grant Thornton na América Latina.
Mesmo mantendo boas perspectivas para um grupo de 25 países classificados como mercados de rápido crescimento, entre eles o Brasil, a Ernst & Yong revisou para baixo o PIB dessas nações.
Conjuntamente, elas devem crescer 5,3% em 2012, 0,6% menos do que a E&Y previa em outubro, quando foi realizada a última pesquisa.
Mesmo com a freada, esses países serão responsáveis por quase metade do crescimento global ao longo dos próximos três anos, estima a consultoria. A Ásia puxará a fila, com crescimento médio de 7%. A África subsaariana vem logo atrás, com crescimento médio anual esperado de 5%.
“Países como Angola, que saíram de guerras civis, têm boas perspectivas de crescimento baseadas principalmente em obras e investimento em infraestrutura”, explica André Viola Ferreira, da Ernst & Young.
Fonte: Brasil Econômico/ Luciano Feltrin - 23/02/2012
 


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