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Resgate grego não elimina risco de saída do país da zona do euro

O novo pacote de socorro de € 130 bilhões (US$ 172,1 bilhões) para a Grécia é baseado num cenário econômico irrealista e dificilmente será melhor sucedido do que o primeiro programa de resgate ou evitará a saída do país da zona do euro.
Essa é a visão de boa parte de analistas sobre o pacote que os ministros de finanças da zona do euro aprovaram na madrugada de terça-feira, após 12 horas de duras negociações em Bruxelas.
O risco de calote desordenado da Grécia em março parece estar afastado pelo momento, mas a avaliação é de que o acordo vai prolongar a recessão do país e deixar sua participação na zona do euro sempre na beira do abismo.
O acordo amplia os custos e a humilhação para a Grécia. O país teve que se submeter a colocar o dinheiro numa conta bloqueada para priorizar pagamentos da dívida, antes de poder usar recursos para pagar as faturas, salários, aposentadorias, etc.
Uma equipe permanente da troica - FMI, Banco Central Europeu (BCE) e União Europeia - estará na Grécia para assegurar o cumprimento dos termos e condições do pacote. E Atenas continuará comprometida a mais vários anos de austeridade. Os dois principais partidos políticos, o Pasok socialista e o Nova Democracia, de direita, se comprometeram a manter o plano de rigor depois da eleição de abril. Ou seja, se quiserem rever as condições do acordo, o pacote de socorro pode ser suspenso.
Para analistas, o acordo é baseado em projeções otimistas. Por exemplo, de que o PIB sofrerá contração de 4,3% este ano e se estagnará em 2013 - comparado a estimativas de queda de 8% em 2012 e de 7% no ano que vem por várias consultorias.
Se a queda no PIB for maior, a troica será forçada a exigir mais medidas de austeridade para a Grécia cumprir as metas atuais. E neste caso, considerando a revolta popular que já existe hoje, só restará mesmo abandonar o pacote e quebrar.
Para o analista Ben May, em Londres, os ministros compraram tempo. Porque todo mundo sabe que, se a Grécia continuar na zona do euro, precisará melhorar a competitividade que perdeu na última década e isso significa um longo período de salários e preços em queda ou estagnados. Mas a projeção é de que, mesmo com o novo programa de socorro, a relação dívida/PIB dificilmente cairá.
Documento preparado pela troica, publicado pela agência "Reuters", conclui que o plano de ajuda para a Grécia pode fracassar e a dívida grega explodir a nível não administrável até 2020. A troica duvida da capacidade de Atenas de controlar as finanças públicas e acha que a dívida pode chegar a 160% do conjunto das riquezas nacionais, o que significaria um retorno à situação atual.
Com a redução do pagamento de juros do empréstimo de € 130 bilhoes, na prática financiado pelo Banco Central Europeu (BCE), as autoridades europeias acham que a dívida grega pode ser baixada para 120,5% do PIB até 2020.
Os bancos credores aceitaram corte de 53,5% na dívida. Os novos bônus gregos vão pagar juros de 2% até 2014, 3% até 2002 e 3,5% depois. Segundo a "Reuters", a Grécia pretende completar o swap de sua dívida com credores privados em 12 de março. Charles Dallara, representante dos bancos, diz que a perda real dos credores será de 70% levando em conta o valor atual dos papéis gregos.
A Grécia também vai pagar juros menores pelo empréstimo de € 130 bilhoes, comparado aos 5% do primeiro pacote. Os bancos centrais da zona do euro vão contribuir com € 1,8 bilhão, valor procedente dos lucros esperados pelos investimentos em dívida pública grega.
O comissário europeu de assuntos econômicos e monetários, Olli Rehn, fala de "condicionalidade rigorosa para assegurar controle efetivo do programa". Para analistas do Rabobank, a implementação do plano de rigor será atingido por "problemas periodicamente".
Mas Ben May é mais pessimista. "O alívio do novo pacote tende a ser temporário", diz. "É possivel um colapso em questão de meses ou mesmo semanas, e poderemos ver a Grécia deixando a zona do euro este ano."
Para a consultoria Fathom, de Londres, a crise grega só será resolvida quando, e se, bancos europeus estiverem suficientemente recapitalizados para permitir um calote da Grécia e um contágio ser contido.
Fonte: Valor Econômico/ Assis Moreira - 22/02/2012
 


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