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Medida prudencial está na ‘cabeça‘ no BC

A palavra do momento dentro do Banco Central (BC) é macroprudencial. Pelo menos essa é a impressão dos economistas que estiveram em reuniões recentes com membros da diretoria da autoridade monetária.
A mensagem captada pelos presentes foi de que o BC pode carregar a mão no corte de juros, pois tem em sua caixa de ferramentas as medidas macroprudenciais, que estão mais eficientes do que antes e tem impacto mais imediato na economia real.
Esse ganho de eficiência teria respaldo, entre outros fatores, na curva de aprendizado do mercado. Agora, os agentes sabem medir de forma mais apurada o impacto dessas ferramentas, primeiramente utilizada em dezembro de 2010 para conter o crédito.
"O recado é para não olhar apenas para a taxa de juros como instrumento de política monetária", diz um desses economistas.
Esse discurso e percepções não deixam de espelhar o que ocorre no mercado de juros futuros. As taxas caíram pela sexta semana consecutiva e na semana que antecedeu o feriado de Carnaval os contratos longos foram destaque de baixa, justamente quando cresceu a percepção de que o BC pode lançar mão de medidas não convencionais para lidar com a inflação.
No entanto, aquela visão de que as medidas prudenciais seriam complementares ao uso da taxa de juros perde validade. Ao menos no caso atual elas seriam antagônicas, pois enquanto os juros seguiriam em baixa, o BC poderia impor restrições ao mercado de crédito. Na ação anterior, o BC apertou o crédito e subiu a taxa de juros, por isso a complementariedade das ações.
No lado internacional, o BC monitora com atenção as medidas de política monetária do Federal Reserve (Fed), banco central americano, Banco Central Europeu (BCE), Banco da Inglaterra (BoE) e Banco do Japão (BoJ).
As quatro instituições têm políticas expansionistas que têm impactos na tomada de decisão por aqui. O Fed fala em juro baixo até o fim de 2014. O BCE nega, mas faz um "Quantitative Easing" ao promover os leilões de liquidez aos bancos. Já os BCs da Inglaterra e do Japão estão expandindo seus balanços via programas de compra de ativos.
Que o BC olha para isso não é lá grande novidade. O ponto destacado pelos participantes de tais reuniões é que a autoridade monetária já começa a avaliar as consequências da reversão dessas políticas, ou seja, o que pode ocorrer com o fluxo de capitais e outras variáveis em âmbito global quando esses BCs começarem a normalizar suas políticas monetárias. E também nesse caso, o uso de medidas prudenciais pode ser uma boa resposta.
Segundo um dos participantes dessas reuniões, a percepção que se tem é de um BC bem "dove" (pombo, indicação para autoridade de viés pouco ortodoxa). Mas na sua avaliação, não dá para comprar cegamente essa versão.
O aceno pode ser um, mas a ação do BC não precisa ser necessariamente na mesma direção ou ter a mesma intensidade da sugerida pelos encontros.
Para esse especialista, pelo histórico de comunicação, se o cenário mudar, o BC muda também e sem aviso prévio.
No mercado de câmbio, o dólar fez nova mínima para o ano na sexta-feira ao cair 0,35% e fechar a R$ 1,714. A queda na semana foi de 0,70%. Apesar da baixa, os vendidos temem novas compras do BC, não por acaso o real subiu menos que pares emergentes no dia e na semana.
Fonte: Valor Econômico/ Eduardo Campos - 22/02/2012
 


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