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Mercado vê PIB entre 0,2% e 0,4% no 4º tri

A recuperação da economia captada pelo Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) em dezembro não foi suficiente para garantir um crescimento mais robusto do Produto Interno Bruto (PIB) no quarto trimestre de 2011, que, segundo a maioria dos analistas ouvidos pelo Valor, subiu entre 0,2% e 0,4% frente ao terceiro trimestre na comparação com ajuste sazonal - fora dessa maioria, as projeções variam de queda de 0,2% até 0,5% de alta. Para o PIB do ano de 2011 fechado, a previsão de 14 entre 18 consultorias está exatamente no intervalo revelado pelo índice do BC, de 2,7% a 2,8% de crescimento em relação a 2010.
Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, espera crescimento de 0,2% no PIB do quarto trimestre em relação ao terceiro, descontados os fatores sazonais, o que representa uma ligeira recuperação em relação à estabilidade verificada no terceiro trimestre do ano. "A economia está se recuperando por conta de um terceiro trimestre atípico, que foi o piso da atividade, mas é uma retomada em nada significativa. O primeiro trimestre de 2012 pode ter uma alavancada maior."
As medidas tomadas pelo governo para reaquecer a economia no fim do ano passado, aliadas ao ciclo de redução dos juros, que vigora desde agosto, já surtiram algum efeito no varejo e ajudaram a diminuir estoques da indústria de linha branca em dezembro, mês no qual tanto o comércio como a produção tiveram bom desempenho, avalia Fernanda Consorte, do Santander.
O último mês do ano, no entanto, foi ofuscado por outubro, piso da desaceleração econômica que atrapalhou o comportamento do último trimestre como um todo. Fernanda projeta avanço de 0,4% no PIB para o último trimestre, crescimento puxado basicamente pelo consumo das famílias e do governo. "Não podemos falar que esse é um número forte, mas há indícios de uma recuperação mais intensa da atividade a partir do primeiro trimestre", diz ela, para quem o desempenho da economia nos três meses finais de 2011 poderia ter sido até pior se o governo não tivesse reagido com rapidez após a perda de fôlego observada no terceiro trimestre.
Para Octavio de Barros, diretor do departamento de pesquisas e estudos econômicos do Bradesco, o IBC-Br de dezembro reforçou sua estimativa de que o PIB do quarto trimestre cresceu 0,3% frente ao terceiro, projeção que, se confirmada, resulta em um avanço de 2,8% em 2011. Segundo Barros, a principal implicação do número de dezembro é que a herança estatística para o primeiro trimestre, o chamado "carry over", será considerável. "Uma expansão do PIB perto de 1% entre janeiro e março é bastante factível, mesmo que tenhamos resultados mais fracos do IBC-Br em janeiro e fevereiro", acredita.
Os economistas acreditam que a principal mudança na composição do PIB do terceiro para o quarto trimestre veio do consumo das famílias, que voltou a crescer após a queda de 0,1% registrada entre julho e setembro. A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), medida das contas nacionais do que se investe em construção civil e máquinas, no entanto, deve ter andado de lado, em linha com a capacidade ociosa da produção industrial. "A composição do PIB do último trimestre será novamente ruim, sem nada do lado da oferta e tudo pela ótica da demanda, exceto pelo investimento", afirma Alessandra Ribeiro, da Tendências.
Segundo José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator e professor da FEA-USP, o investimento e as exportações encolheram na passagem do terceiro para o quarto trimestre, o que sinaliza uma queda de 0,2% para o PIB no período. "Essas duas variáveis estão por trás do recuo e mais que compensam o avanço do consumo", explica Gonçalves, que aponta queda de 3,7% na produção de bens de capital no último quarto do ano, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em decorrência da queda, o Fator tem a menor previsão para a variação do PIB de 2011: 2,6%.
Constantin Jancsó, do HSBC, não espera grandes mudanças no comportamento da economia no quarto trimestre.
"Imaginamos uma economia muito parecida com a que vimos no terceiro trimestre. Não houve uma recuperação, mas uma estabilização. O primeiro trimestre de 2012 também deverá ser modesto. Ao longo do ano, deveremos ver uma aceleração", estima.
Fonte: Valor Econômico/ Francine De Lorenzo e Arícia Martins - 17/02/2012
 


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