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Índice do BC aponta que economia cresceu abaixo do previsto

O índice criado pelo Banco Central para antecipar a tendência do Produto Interno Bruto (PIB) indica que a economia brasileira cresceu apenas 2,72% em 2011, menos do que as últimas projeções do Ministério da Fazenda (3,5%) e do próprio BC (3%). Em contrapartida, o IBC-BR sinalizou, na série dessazonalizada, a retomada, ainda que tímida, da atividade econômica no último trimestre do ano, após dois trimestres seguidos de retração.
Na versão que retira o efeito de fatores sazonais, mais adequada para comparação de períodos diferentes do ano, o índice subiu 0,27% no quarto trimestre, em relação ao anterior. No segundo e no terceiro trimestres, o IBC-BR tinha registrado duas quedas, de 0,21% cada. Em dezembro, a série com ajuste sazonal apontou alta de 0,57% sobre novembro, mês em que também houve avanço do índice.
"A economia entrou 2012 acelerando", comentou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, convicto de que o comportamento do IBC-BR no fim de 2011 não foi pontual, e sim o início de um novo período de aceleração do crescimento econômico. Pelas projeções do ministro, no segundo semestre deste ano a taxa anualizada de elevação do PIB deverá estar "acima de 5%".
Principalmente a indústria, setor que mais perdeu ritmo em 2011, está em "rota de recuperação", disse Mantega. Ele destacou que a política fiscal, reforçada pelo corte orçamentário, contribuirá para a retomada, na medida em que abre espaço para novas reduções da taxa básica de juros, fator de estímulo a investimentos na produção.
Quanto ao desempenho da economia em 2011, o ministro acha que não foi tão ruim como apontou o IBC-BR. Mantega disse acreditar que o PIB exibirá variação mais próxima de 3%, ou um pouco maior.
Na série dessazonalizada, o IBC-BR aumentou 2,79% em 2011, variação superior à medida pela série sem a retirada de fatores sazonais (2,72%). Mas no caso de dados anuais, a mais relevante é a série sem ajustes, porque o PIB anual apurado pelo IBGE também não é dessazonalizado, lembra o economista Márcio Antônio Salvato, do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec).
Em 2010, o índice calculado pelo Banco Central mostrou boa aderência ao PIB. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apurou crescimento de 7,5%, ao passo que o IBC-BR registrou variação de 7,8%.
Comparados os dois últimos trimestres de cada ano, o índice do BC também registrou aumento modesto da produção em 2011. Tanto na versão dessazonalizada (1,12%) quanto na versão sem ajustes (0,98%), essa elevação foi ainda mais tímida do que a registrada na comparação dos dados anuais. A desaceleração sobre 2010 é mais evidente, portanto, quando se olha o dado do último trimestre do que quando se olha o acumulado de cada ano, apesar da recuperação em relação ao terceiro trimestre.
Para Salvato, o baixo crescimento econômico de 2011 foi um custo necessário ao controle da inflação. Ele avalia que o BC acertou ao elevar juros na primeira metade do ano com objetivo de conter a demanda interna por bens e serviços, cujo vigor estava inflacionando os preços. "Havia alto risco inflacionário", diz ele, lembrando que os juros só voltaram a baixar, em agosto, porque o cenário externo passou a contribuir para desacelerar o nível de atividade da economia.
O economista Alcides Leite, professor da Trevisan Escola de Negócios, também acha que o BC não exagerou na dose de juros. Diante da necessidade de manter a inflação na meta, a forte perda de ritmo era inevitável. O exagero, na sua opinião, foi cometido em 2009 e 2010, pelo governo, ao afrouxar a política fiscal e elevar gastos. O efeito disso sobre a demanda agregada da economia acabou turbinando o PIB além do que seria possível sem gerar mais inflação.
Leite avalia que, enquanto não tiver uma taxa de investimento na casa de 25% do PIB (hoje está em 19%), dificilmente o país poderá crescer mais do que 3% ao ano, sem gerar pressão adicional sobre preços.
Fonte: Valor Econômico/ Mônica Izaguirre - 17/02/2012
 


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