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Arbitragem em emergentes já rende 5,5%

Pegar empréstimos em dólar e em iene japonês para investir em divisas de emergentes já deu retorno de 5,5% este ano, revertendo a perda de 15% de 2011, segundo cálculos do Instituto Internacional de Finanças (IIF).
Enquanto as moedas de economias emergentes continuam a ganhar valor no mercado internacional, o yuan chinês se mantém praticamente estagnado. O real brasileiro, por exemplo, teve valorização de cerca de 9% em relação à divisa chinesa desde o começo do ano.
Com exceção da China, que resiste a desvalorizar o yuan, a aparente melhora na confiança dos investidores, após a injeção de recursos do Banco Central Europeu (BCE), impulsionou as moedas de emergentes. E prosperam as operações de "carry trade" (arbitragem), pelas quais os investidores se valem da diferença de taxas de juros.
As intervenções dos bancos centrais voltaram nos mercados emergentes para segurar a valorização da moeda. Além dos bancos centrais do Brasil e da Colômbia, agora é também o do Chile que tem intenção de comprar diariamente dólares no mercado, avaliam analistas.
No Brasil, o fluxo de investimentos estrangeiros não deve se arrefecer por pelo menos um ano e meio, e isso seguirá pressionando o valor do real à revelia das atuações do Banco Central (BC), segundo o chefe de pesquisa de câmbio para a América do Norte Barclay‘s Capital, Jose Wynne. Segundo ele, o BC brasileiro continuará a fazer leilões para conter a apreciação excessiva da moeda e evitar que se distancie da casa de R$ 1,70, mas a medida não afugentará investidores.
"Há espaço para mais apreciação e o carry-trade ainda é interessante, mesmo com uma trajetória de queda das taxas de juros no país", disse Wynne, ao mencionar também as boas perspectivas macroeconômicas para o país em 2012 e 2013. Ontem, o dólar comercial assinalou queda de 0,17%, a R$ 1,720 na venda.
Investir em real será um bom investimento no longo prazo, mas as moedas vedetes, na opinião dele, são o peso mexicano e o dólar canadense, abaixo do valor justo, segundo cálculos do Barclays, e devem ganhar espaço na medida em que a economia americana se recupere.
Para o peso, a subvalorização estaria entre 10% e 15%, enquanto a moeda canadense deve se beneficiar do fortalecimento dos preços de energia e de commodities. Já o dólar australiano é considerado o investimento mais certeiro por sua forte liquidez em uma economia estável e que pouco deve sofrer com solavancos externos.
Para o euro as previsões do Barclays seguem um caminho contrário. Paul Robinson, chefe global de pesquisa de câmbio do banco, considera que a moeda comum deve continuar orbitando o US$ 1,30, apesar das tensões em relação à crise grega. O especialista não acredita que o Banco Central Europeu (BCE) entrará no mercado comprando títulos de forma generalizada, ma também não trabalha com uma ruptura parecida com a crise desencadeada pela quebra do americano Lehman Brothers, em 2008.
No médio prazo, a perspectiva é de que o euro perca 7,7% de seu valor atual e se aproxime de US$ 1,20 em um ano. A perda de valor não seria ocasionada por uma piora do cenário na região, mas sim pela injeção de liquidez por parte de instituições que têm se esforçado para conter o avanço da crise, caso do BCE.
Fonte: Valor Econômico/ Assis Moreira e Filipe Pacheco - 17/02/2012
 


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