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Mesmo com fluxo forte BC ‘segura‘ dólar a R$ 1,72

Os dólares continuam entrando no país, mas a taxa de câmbio estancou o movimento de queda que caracterizou o mês de janeiro. E quem pôs freio no preço da moeda americana foi o próprio Banco Central (BC), que retomou as compras e tirou os vendidos da zona de conforto.
Desde o dia 3 de fevereiro, data da primeira atuação, o dólar comercial orbita a linha de R$ 1,720. Há vontade para preços menores, mas a cautela prevalece nas mesas de operação. Além da sombra do BC no mercado, o aumento da instabilidade externa nos últimos dias não favorece a ampliação de posições vendidas.
Ontem, o dólar comercial teve alta de 0,12%, a R$ 1,723 na venda. Na mínima do dia, a moeda foi a R$ 1,714 (-0,40%).
Quantificando a percepção das mesas de operação quanto à entrada de recursos externos, o BC mostrou que nos oito primeiros dias úteis de fevereiro o fluxo cambial estava positivo em US$ 7,622 bilhões. A cifra já é maior que a sobra de US$ 7,283 bilhões observada em janeiro.
Por ora, a atuação da autoridade monetária se mostrou bastante tímida, absorvendo apenas US$ 185 milhões desse montante de dinheiro. No entanto, conforme notou Cristiano Romero em sua coluna de ontem no Valor, o acúmulo de reservas internacionais deve se acelerar nas próximas semanas e meses.
As reservas internacionais brasileiras encerram 2011 em US$ 355,075 bilhões, e boa parte dela está alocada em títulos do tesouro americano, os treasuries.
Segundo dados do Tesouro dos Estados Unidos, o Brasil é o quinto maior detentor de dívida americana. A posição brasileira encerrou 2011 em US$ 206,9 bilhões, um crescimento de 11,2% sobre dezembro de 2010.
Mais interessante do que isso é que o Brasil foi o único dos Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) a aumentar sua posição em papéis da dívida americana no ano passado.
A China continua como maior financiador dos Estados Unidos (depois do próprio Federal Reserve) com estoque de US$ 1,10 trilhão. A cifra é monumental, mas 5,2% menor do que a registrada em dezembro de 2010.
O caso da Rússia é o que mais chama atenção. O país reduziu sua posição em títulos americanos em todos os meses do ano passado. De fato, desde outubro de 2009 os russos estão se desmanchando de seu estoque.
Em dezembro de 2011, a posição da Rússia em treasuries era de US$ 88,4 bilhões, uma queda de 41,5% sobre os US$ 151 bilhões detidos no fim de 2010.
Encerrando com a Índia, 20º maior detentor de dívida americana, em dezembro, o país detinha US$ 34,2 bilhões em títulos, queda de 15,5% sobre 2010.
China, Rússia e Índia desalocaram US$ 129 bilhões de títulos americanos no ano passado. A questão que fica é: para onde foi essa montanha de dinheiro? Uma pista seria o ouro.
Saindo do câmbio e olhando para o mercado de juros. A curva futura não mudou de cara com a divulgação do corte orçamentário de R$ 55 bilhões em 2012.
Os contratos futuros continuam sugerindo Selic ao redor de 9% ao ano.
Segundo o economista-chefe da Prosper Corretora, Eduardo Velho, o mercado sempre duvida da capacidade do governo em entregar o superávit cheio.
Mas em quatro dos últimos cinco anos, diz Velho, o governo conseguiu entregar o prometido com ajuda de receitas extraordinárias, seja cobrança de tributos, antecipação de receitas ou outros artifícios.
Claro que essa não é uma forma "saudável" de superávit, mas não deixa de ser um cumprimento da meta.
O economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, nota que o governo tem se mostrado disposto a fazer qualquer coisa para entregar o número. Aumenta os dividendos, aumenta o IOF, empurra investimentos para restos a pagar. "Enfim, com traquinagens o governo tem mostrado ser capaz de entregar os números. Isso não o torna mais eficiente, mas mais criativo nas mágicas", conclui o economista.
Fonte: Valor Econômico/ Eduardo Campos - 16/02/2012
 


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