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Liquidez do BCE afasta risco de contágio‘, diz IIF

A liquidez abundante fornecida pelo Banco Central Europeu (BCE) e outros grandes bancos centrais, somada à resiliência das economias dos EUA e dos emergentes e recessão menos severa na Europa, alimentam a percepção de que a crise da dívida soberana europeia e a crise bancária recuaram e o risco de contágio estaria contido.
É o que diz o Instituto Internacional de Finanças (IIF), que representa os maiores bancos do mundo, em relatório enviado a seus membros esta semana. "O sentimento de menos perigo e de firewall significa essencialmente que investidores agora parecem entender que, indiferentemente da austeridade fiscal funcionar na Grécia e em Portugal, o contágio nesses países será contido na medida em que outras nações com problemas vão ser bem sucedidas‘‘, afirma.
Além da enorme liquidez dada pelo BCE, a "percepção de firewall‘‘ em torno da Grécia é reforçada pela decisão de Bruxelas de ativar já em junho o Mecanismo Europeu de Estabilidade (ESM, na sigla em inglês) com capacidade de empréstimo de € 500 bilhões. O poder de fogo contra o contágio na zona do euro poderá ser ampliado, se o EFSF, o atual mecanismo europeu de socorro, continuar a funcionar justamente com o ESM.
Essa visão benigna será testada nas próximas semanas. Nos mercados financeiros da Europa, a situação da Grécia é vista como uma roleta russa entre políticos e líderes europeus. A Europa ameaça atrasar a liberação do segundo pacote de socorro de € 130 bilhões até a eleição geral grega em abril, mas ao mesmo tempo provavelmente dando a Atenas dinheiro suficiente para evitar o calote. Já a Alemanha ainda explora a possibilidade de colocar o dinheiro para os gregos numa conta controlada pela Europa. E junto com a Holanda e a Finlândia, a Alemanha cada vez mais parece preparada para deixar a Grécia dar o calote e sair da zona do euro.
O líder da direita grega Antonis Samaras enviou ontem às pressas uma carta aos líderes europeus se comprometendo com austeridade. Mas sua observação no começo da semana, de que renegociaria o pacote de rigor depois da eleição, afundou sua credibilidade.
Para analistas, mesmo se a Europa aceitar as promessas dos gregos, o colapso é tão grande na economia do país que outra reestruturação da dívida poderá ser exigida no médio prazo. "A Grécia está em fase terminal e todo mundo sabe disso‘‘, afirma o economista Michael Derks, da consultoria FxPro, de Londres.
A economia grega poderá sofrer contração de 5% este ano, após ter declinado 13% nos últimos quatro anos. A coleta de impostos na Grécia caiu 7% em janeiro, ao invés de aumentar 8,9% como planejado, ilustrando a dificuldade de implementar o que assinou junto aos europeus.
Diante desse cenário, cresce a convicção de que a Grécia acabará sendo empurrada para fora ou tomando a porta de saída da zona do euro, agora que a União Europeia poderia conter o impacto de um calote desordenado grego.
Fonte: Valor Econômico/ Assis Moreira - 16/02/2012
 


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