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BMG retém mais carteiras de crédito

Depois de duas aquisições, uma delas bastante indigesta, e com o mercado de crédito consignado em crise, o ano de 2011 foi de arrumação de casa para o BMG. O banco mineiro comprou duas outras instituições - o GE e o Schahin, esse último com muitos problemas -, e recebeu uma injeção de capital de R$ 1,1 bilhão. O saldo do ano foi um lucro líquido de R$ 583,5 milhões, valor 3,7% menor do que o registrado em 2010. Diante do resultado menor, o BMG considera que agora os alicerces da casa estão em ordem para começar um período de crescimento, com um cenário mais favorável no consignado.
A comparação dos números fica prejudicada pelo fato de que, ao final de 2010, Schahin e GE não estavam nas contas.
Ao longo do ano passado, o BMG passou por um aumento de capital de R$ 1,1 bilhão, que ajudou a fechar o rombo patrimonial do Schahin e também deu gás à estrutura de capital do banco. Na época da aquisição (agosto de 2011), o rombo no Schahin foi avaliado em R$ 1,3 bilhão. Neste começo de ano, um novo aumento de capital de R$ 200 milhões foi feito para fechar a conta.
O capital adicional está ajudando o banco a reter em seu balanço um volume maior de operações de crédito. O BMG encerrou 2011 com uma carteira mantida em balanço de R$ 11 bilhões, volume 35,7% superior ao de 2010. É um crescimento superior ao da geração total de créditos, que aumentou 18,7%, com R$ 29 bilhões - sendo que R$ 1,5 bilhão veio com a compra do Schahin, que passa a se chamar BCV.
Especializado em crédito consignado, aquele com desconto no salário, o BMG tinha como prática vender para outros bancos a maior parte da carteira que originava. Até 2011, o lucro apurado com essa venda era registrado no balanço de uma só vez, prática vetada a partir deste ano pelo Banco Central. "Aos poucos, essas carteiras retidas vão começar a gerar resultado para o banco", afirma Ricardo Gelbaum, diretor financeiro do BMG.
Além de reter mais empréstimos, o BMG também pretende aumentar o volume de originação de crédito. Em 2011, foram R$ 10,9 bilhões, volume que deve alcançar neste ano R$ 12 bilhões.
Com as aquisições de GE (agora Cifra) e Schahin (BCV), o banco passou a contar com uma rede maior de distribuição, de quase 400 lojas. Antes, o BMG possuía apenas cem unidades. Além de ajudar na originação dos empréstimos, essa malha deve levar a uma redução de custos. "Isso nos permitirá gerar mais operações sem ter de pagar comissão para os agentes de crédito, o que deve reduzir os custos", afirma Márcio Alaor de Araújo, vice-presidente do BMG.
O impacto da aquisição dos bancos foi negativo para as despesas administrativas e de pessoal, que subiram 56% (R$ 529,9 milhões) no último trimestre de 2011, na comparação com igual período de 2010. Com isso, o índice de eficiência do banco piorou muito, indo para 82,5%, 21,1 pontos percentuais maior. Para melhorar o indicador, o BMG fez uma redução de funcionários de cerca de 20% e novos ajustes serão feitos.
Isso não impediu que o banco tivesse um lucro líquido no quarto trimestre (R$ 170,3 milhões) 59% maior que o de igual período de 2010, com a contribuição de um resultado mais alto de intermediação financeira e de receita de prestação de serviço. BCV e Cifra trouxeram para o BMG um leque maior de produtos. Do antigo Schahin, por exemplo, veio o financiamento de veículos, enquanto do GE herdou-se o crédito pessoal. "Marcas diferentes permitem atuar com taxas diferentes no crédito consignado, atingindo um público maior", diz Araújo.
Do lado das captações, entre a venda de carteiras de crédito para fundos e concorrentes e títulos de banco, o "funding" do BMG cresceu 28% no último trimestre, na comparação anual.
Fonte: Valor Econômico/ Carolina Mandl - 16/02/2012
 


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