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Queda de volatilidade favorece arbitragem entre moedas

Num mercado de câmbio que movimenta US$ 4 trilhões por dia, operadores agora acalmados por uma enxurrada de dinheiro proveniente do banco central estão abandonando a segurança e partindo para apostas mais arriscadas. Tomadas de empréstimos em dólares ou ienes para comprar reais brasileiros e pesos mexicanos de alto rendimento deram retorno de 5,5% neste ano, o melhor começo de ano na história, e reverteram as perdas de 15% de 2011, conforme o índice UBS AG V24 Carry.
A volatilidade do mercado caiu na semana passada para seu menor nível desde agosto de 2008, conforme índice J.P. Morgan Chase & Co. O crescimento de operações que dependem de estabilidade ressaltam a crescente confiança em que a economia mundial e o sistema financeiro resistirão a choques, num momento em que os banqueiros centrais inundam o mundo com dinheiro.
Isso também está se revelando um problema para mercados emergentes, como o Brasil, onde as autoridades econômicas vêm renovando as compras de dólares para impedir que o real suba muito rapidamente e prejudique o crescimento. "Há menos nervosismo no mercado em geral", disse José Wynne, chefe de pesquisas cambiais para a América do Norte na divisão de investment banking do Barclays Plc. "Agora que os bancos centrais estão bombeando (recursos) em um lado do sistema, há gente mergulhando em carry trades por toda parte".
Neste ano, as moedas da Nova Zelândia, México, Brasil, Indonésia e África do Sul deverão subir em relação ao dólar, euro, libra e iene, disse Wynne. Todos esses países têm taxas básicas de juro entre 2,5% e 10,5%, maiores do que as taxas entre zero e 1% nos EUA, Europa, Japão e Reino Unido.
O dólar perdeu 0,3% na semana passada, caindo para US$ 1,3197 por euro, e valorizou 1,3% em relação à moeda japonesa, para 77,61 ienes.
O Índice UBS Carry V24 subiu 13,9%, melhor desempenho desde 2005, antes de cair 2,5% em 2010 e 15% em 2011. O real brasileiro valorizou 33% em 2009 em seu melhor desempenho em relação ao dólar, seguido pelo ganho 29% pelo rand sul-africano. "Em 2009, houve uma retomada do apetite por risco e ativos de risco subiram, e isso também ocorreu de forma inesperada", disse Michael Woolfolk, estrategista sênior de câmbio no Bank of New York Mellon Corp, em Nova York, maior banco de custódia do mundo. "Essa alta que vimos em janeiro foi também em grande parte inesperada".
O índice UBS saltou 4,7% em janeiro, para 449,56, e subir até 456,14 em 3 de fevereiro, antes de recuar para 452,89 semana passada. O peso mexicano valorizou 9,7% ante o dólar, neste ano, liderando os ganhos entre as 16 principais moedas monitoradas pela Bloomberg. O real avançou 8,4% e o dólar da Nova Zelândia, 7,5%.
As autoridades econômicas em países que viram suas moedas subir estão começando a agir, pondo em risco os rendimentos do carry trade.
O Brasil retomou as intervenções depois que o real atingiu pico em três meses, de R$ 1,7126 por dólar, na semana passada. O banco central do país comprou dólares no mercado duas vezes neste mês, as primeiras compras desde julho, para atenuar a valorização que, conforme autoridades econômicas, pode pesar sobre as exportações e a recuperação da economia.
Fonte: Valor Econômico/ Bloomberg/ Catarina Saraiva - 14/02/2012
 


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