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Hora de pesquisar para aplicar em CDBs

Com os cortes nos juros básicos da economia, os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) vêm perdendo rentabilidade, exigindo mais pesquisa por parte do investidor. Especialistas recomendam a negociação com o gerente do banco como forma de conseguir melhores condições. Contudo, com juros mais baixos, será preciso abrir mão da liquidez (possibilidade de sacar a aplicação a qualquer momento) ou da segurança do investimento em nome de maior retorno.
Desde que o Banco Central (BC) começou a reduzir a Taxa Selic, hoje em 10,5% ao ano, em agosto do ano passado, o CDI (taxa média dos empréstimos entre os bancos, que usa a Selic como referência) vem caindo. A rentabilidade dos CDBs é medida como percentual do CDI e, para perder menos, será importante conseguir o mais próximo possível de 100% da taxa de referência.
Para perder menos, o investidor terá que abrir mão de algo: da segurança ou da liquidez - resume a superintendente de investimentos do banco Santander, Sinara Polycarpo.
Abrir mão da liquidez significa deixar os recursos aplicados por mais tempo. Geralmente, os bancos oferecem CDBs com retorno maior (como percentual do CDI) para aplicações de longo prazo. No caso do Santander, por exemplo, é possível conseguir 100% do CDI com apenas R$ 1 mil, desde que a aplicação fique intacta por quatro anos.
Mas, para aplicar no longo prazo, é preciso ser bem planejado financeiramente. O investidor não pode mexer naquele dinheiro.
Mas os planos das pessoas mudam com o passar do tempo. O casal pode resolver ter filhos, por exemplo. Às vezes é difícil ser tão planejado - avalia Flávio Lemos, diretor da Trader Brasil Escola de Investidores.
Há o caso de CDBs sem liquidez, ou seja, que o recurso não pode ser sacado antes do tempo determinado. Outras opções, como a oferecida pelo Santander, são escalonadas: o percentual do CDI que a aplicação renderá aumenta à medida que o tempo passa. Ou seja, o investidor pode sacar o recurso antes, mas ganhará menos.
Além do retorno maior, a aplicação de longo prazo garante redução na mordida do Leão. Nas aplicações de renda fixa, o Imposto de Renda segue uma tabela regressiva: quanto maior o tempo, menor a alíquota.
Por causa do IR, a tendência de queda na Selic vai aproximando a rentabilidade líquida dos CDBs e fundos DI e de renda fixa do retorno da poupança. A caderneta é isenta de tributos. Segundo especialistas, com os juros básicos a 9,5% anuais, a poupança começará a ser vantajosa, sobretudo para aplicações curtas. Por causa da tabela regressiva, fundos e CDBs pagam 22,5% de IR quando o prazo é inferior a seis meses, contra 15% para acima de dois anos.
Já o investidor que optar por abrir mão da segurança terá que buscar investimentos mais arriscados para ter maior retorno. No extremo, está o investimento em ações.
Para ficar nos CDBs, os títulos de bancos menores dão mais retorno para o investidor - muitas vezes, acima de 100% do CDI. Eles são mais arriscados, porém. O principal risco dos CDBs é o banco emissor falir. Como as chances de isso ocorrer com um grande banco é menor, seus títulos são mais seguros, mas têm retorno menor.
Os CDBs de bancos menores são uma alternativa para quem não é comodista e pesquisa as opções - diz Rafael Paschoarelli Veiga, professor de finanças da USP e responsável pelo site Comdinheiro.com.br.
Para diminuir o risco de aplicar em CDBs de um banco menor, é importante ter atenção para as garantias do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Como o limite de valor garantido é R$ 70 mil, o ideal é não investir acima desse valor. Paschoarelli recomenda limitar as aplicações a R$ 60 mil, para que o limite inclua também os ganhos.
Foi justamente o que fez o engenheiro Fábio Andrade, há sete meses aplicando em CDBs de um banco médio. Até o ano passado, Andrade concentrava 90% de seus investimentos em ações, mas, com a turbulência nos mercados, sacou o dinheiro e aplicou em CDBs do banco no qual tem conta corrente.
Cheguei a negociar as condições com o gerente da minha conta, mas o máximo que conseguia era 100% do CDI. Hoje, aplico com retorno de 103% do CDI, em títulos com vencimento de três meses - explica Andrade, que mantém as aplicações abaixo de R$ 70 mil, para diminuir o risco.
Com a queda da Selic e investidores em busca de maior retorno na renda fixa, a Associação Brasileira de Bancos (ABBC), representante dos bancos de pequeno e médio portes, vê oportunidade de aumentar os canais de distribuição para pessoas físicas. Renato Oliva, presidente da ABBC, destaca iniciativas como a criação de plataformas de venda de CDBs na internet. Os bancos Ficsa e Sofisa foram os primeiros a apostar nessa estratégia.
Lançamos o produto para o varejo porque acreditamos que as ofertas para o investidor poderiam ser melhores. E a falta de opções fica mais evidente com a Selic em queda - diz Bazili Swioklo, diretor do Sofisa Direto, que também oferece Letras de Crédito Imobiliário (LCIs).
Fonte: O Globo/ Vinicius Neder - 13/02/2012
 


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