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Para S&P, Brasil precisa de juro baixo e rigor fiscal

Para a agência de classificação de risco Standard & Poor‘s (S&P), o sucesso da sustentação do mix econômico brasileiro composto por política fiscal mais austera e redução da taxa básica de juros em ritmo mais ambicioso - como ficou evidente desde agosto do ano passado, quando houve o primeiro corte 0,5 ponto da Selic do atual governo -, dependerá da habilidade do governo de conter pressões fiscais e inflacionárias, especialmente em um ano em que o salário mínimo teve reajuste de 12%.
"A taxa básica de juros ainda é muito alta. É preciso atrelar uma política monetária mais ousada com um forte rigor fiscal para fazer com que o país se destaque ainda mais na comparação com seus pares", disse Sebastian Briozzo, analistas responsável pela determinação da nota soberana brasileira. "Mas as duas premissas precisam andar juntas". A condução da política fiscal atrelada à política monetária já evidente passa então a ser o maior desafio para a determinação da nota do país, segundo relatório da S&P assinado por Briozzo e divulgado ontem.
A agência considera que as respostas dadas às pressões inflacionárias pelo governo Dilma no começo de 2011 por meio das políticas macroprudenciais mostraram "um importante sinal de compromisso com a estabilidade." Além disso, o governo também evidenciou uma política de aperto fiscal rigorosa ao aumentar o superávit fiscal para 3,15% do Produto Interno Bruto (PIB) diante de meta anterior de 3%.
Em relação à equipe coordenada por Alexandre Tombini no comando do Banco Central (BC), o analista considera que há "um forte compromisso técnico e político com baixos níveis de inflação", e diz que tem visto o BC tomar as ações "apropriadas para levar a inflação à convergência da meta". O BC, diz a agência, passa a ter uma forte responsabilidade também na hora de fiscalizar e regulamentar um sistema bancário com crédito em forte expansão, o que é considerado um fator positivo mas que requer respostas apropriadas por parte da autoridade para conter possíveis distorções, especialmente em relação ao grau de endividamento das famílias.
De acordo com a análise, o perfil da nota soberana do Brasil é mais estável que aquela de seus pares emergentes, como outros países dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) ou mesmo de economias latinas, como México, Colômbia, Peru e Panamá. Só que o ritmo de expansão da economia brasileira ainda deixa a desejar em relação aos países usados na comparação.
"O Brasil tem uma economia estável e instituições políticas maduras, que fazem com que o país tenha uma nota de crédito sólida dentre o grupo de países comparados", diz o texto. Entre os pontos apontados como positivos para o país está o forte comprometimento com políticas macroeconômicas responsáveis, contas externas sanadas, economia diversificada e baixa dependência de demanda externa para sustentar o crescimento econômico doméstico. "Mas falta dinamismo econômico e investimentos tanto públicos quanto privados. O índice de investimento por volta de 20% do Produto Interno Bruto ainda é muito baixo", concluiu Briozzo.
Fonte: Valor Econômico/ Filipe Pacheco - 10/02/2012
 


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