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BCE flexibiliza garantias para linhas de liquidez, mas deixa juro em 1%

O Banco Central Europeu (BCE) aprovou ontem nova medida para combater o perigo de aperto de crédito na zona do euro, o Banco da Inglaterra fez nova injeção de liquidez na economia. E na Ásia, o Banco Central da Indonésia cortou sua taxa de juro alegando que a economia global continua e frágil e com rumo incerto
O BCE manteve sua taxa de juro em 1% ao ano, como esperado, mas não ficou inativo e flexibilizou as exigências de ativos que os bancos podem dar como garantia para ter acesso às linhas de liquidez. A expectativa no mercado é de que na segunda tranche de empréstimos com prazo de três anos, no dia 29, os bancos tomem entre € 400 bilhões e € 1 trilhão junto ao BCE.
Os bancos poderão dar agora também garantia seus créditos para empresas e organismos do setor público, que não sejam empréstimos imobiliários, operações cujo risco de calote seja igual ou inferior a 1%. Até agora, os bancos centrais na Europa só aceitavam ativos de garantia com risco de calote inferior a 0,4%.
Os BCs da Espanha, Itália, Irlanda, Portugal, Chipre, França e Áustria adotaram ontem mesmo a medida, para seus bancos terem que dar mais colateral para obter liquidez adicional junto ao BCE. Em Frankfurt, o BCE deixou claro que os riscos extras serão do banco central nacional. Normalmente, perdas são divididas entre os BCs da zona do euro conforme o tamanho de suas economias, o que significa mais risco potencial para a Alemanha.
O presidente do BCE, Mario Draghi, enfatizou que a flexibilização pode ajudar o crédito para as pequenas e médias empresas, que segundo ele são responsáveis por 80% do emprego na zona do euro.
As autoridades estão inquietas com o recente enfraquecimento de alguns indicadores monetários. Não apenas os empréstimos dos bancos para as empresas caiu fortemente em dezembro, como as condições de financiamento tornaram-se mais rígidas na zona do euro.
Draghi deu a entender que essa situação pode refletir a preocupação entre os bancos sobre problemas de "funding", já que € 230 bilhões de títulos de divida dos bancos vencem até o fim de marco. E acha que a nova rodada de liquidez por três anos pelo BCE poderá dar fôlego às instituições.
Ele notou que a flexibilização permite garantias adicionais de € 600 a € 700 bilhões a serem aceitos em troca de empréstimos do BCE. Mas que, com o "haircut‘‘ (desconto) que é aplicado, os bancos terão acesso a apenas € 200 a € 300 bilhões em fundo adicional por essa medida.
Enquanto mostra-se firme como emprestador de última instância para os bancos da zona do euro, o BCE continua resistindo a tomar ação mais direta contra a crise. Acha que os governos devem sair da crise da dívida por conta própria.
Sobre a Grécia, Draghi deixou aberta a possibilidade de reduzir eventual ganho sobre o portfólio de títulos gregos que detém, mas que vendê-los com perda (a preço abaixo do que foram comprados) parece fora de questão.
Assim como na zona do euro, o Banco da Inglaterra não mexeu ontem na taxa de juro, já extremamente baixa, mas lançou nova rodada de afrouxamento quantitativo ("quantitative easing"), para compra adicional de 50 bilhões de libras esterlinas (US$ 79 bilhões) de títulos públicos (os chamados "gilt"), totalizando agora 325 bilhões de libras (ou US$ 515 bilhões) nessas operações.
O BC argumentou que, apesar dos recentes sinais de melhora na economia, as duras condições de crédito e consolidação fiscal juntas trazem riscos que precisam ser combatidos. A expectativa no mercado é de que o baixo crescimento econômico continue por um bom tempo, e mais estímulo monetário virá em fatias de 50 bilhões de libras em maio, agosto e novembro, subindo para 475 bilhões de libras (o equivalente a US$ 752 bilhões) até o fim do ano.
Na Ásia, o Banco Central da Indonésia cortou sua taxa básica de juro em 0,25 ponto percentual, para surpresa de parte do mercado. O BC já tinha reduzido a taxa em 0,75 ponto no último trimestre do ano passado e há riscos de volta da inflação. No entanto, com as incertezas na economia mundial, o BC indonésio sinaliza que pode cortar mais 0,25 ponto e fechar o ano com juro de 5,5% ao ano até dezembro, a despeito de a economia ser menos dependente do comércio internacional do que outras nações asiáticas.
Já o BC da Coreia do Sul manteve sua taxa em 3,5% ao ano, mas espera-se que promova corte de 0,50 ponto percentual ao longo de 2012 também para estimular a economia.
Fonte: Valor Econômico/ Assis Moreira - 10/02/2012


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