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Analistas projetam inflação elevada no longo prazo

O mercado está ficando mais pessimista ao projetar a inflação para o longo prazo. Mesmo sem maiores informações sobre a conjuntura econômica dois anos à frente e sem meta de inflação definida para o período, os analistas consultados pelo Banco Central acreditam que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerrará 2014 com alta de 4,8%, 0,3 ponto percentual acima do centro da meta que vigorará até 2013. A deterioração precoce das expectativas é novidade: pela primeira vez desde 2006 a previsão dos economistas do boletim Focus, do BC, para o IPCA em um período de dois anos ultrapassa 4,5%.
No prazo de um ano à frente, o mesmo movimento pode ser observado. A mediana dos analistas para 2013 começou janeiro em 4,8% e, na última pesquisa do BC atingiu 5%. O grupo dos Top 5, que reúne as instituições com melhor índice de acerto para o médio prazo, projeta inflação de 5,25% no próximo ano, estimativa próxima ao consenso de mercado para 2012, de 5,29%.
Economistas ouvidos pelo Valor divergem sobre a probabilidade das projeções mais pessimistas serem concretizadas, mas concordam sobre o motivo que as gerou: desde agosto, quando começou a cortar os juros, o BC está emitindo sinais de que está disposto a tolerar uma inflação persistentemente acima do centro da meta para garantir um crescimento econômico mais robusto. Além da mudança no BC, a inflação de serviços, que terminou 2011 em 9%, é outro entrave à convergência dos preços ao alvo central perseguido, assim como o alto grau de indexação da economia brasileira.
"Todo mundo está correndo atrás do Banco Central", diz José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator e professor da FEA-USP, para quem a projeção de 4,8% para 2014 indica descrença do mercado no regime de metas. Gonçalves aposta que ao longo do ano as estimativas, tanto de curto como de longo prazo, devem ser revisadas para baixo, inclusive as suas, que, por enquanto, estão próximas ao consenso: entre 5,2% e 5,3% para 2013, e pouco acima do centro da meta para 2014. "Estamos em uma momento favorável para a inflação se desacelerar", diz, ao notar que boa parte da inflação de 2011 se deveu a um choque de oferta.
O economista Francisco Pessoa, da LCA Consultores, não acredita que o mercado considere o regime de metas abandonado, mas sim que o centro não é mais perseguido "com tanto afinco". "Talvez gestões anteriores fizessem questão que o IPCA oscilasse em torno de 4,5%", observa Pessoa, que estima inflação de 4,9% em 2012, mas espera reaceleração em 2013, na esteira de preços administrados mais salgados - o ano eleitoral inibirá reajustes em tarifas, que serão efetuados no próximo ano - e de uma recuperação da economia mundial, que deve valorizar as commodities. Para 2014, diz Pessoa, o cenário inflacionário ainda está sendo discutido pela LCA. "A questão discutida é quanto o governo aceita de inflação."
A Quest Investimentos projeta inflação de 5% no longo prazo há mais de um ano. A principal explicação para essa piora nas previsões vem da taxa de desemprego, que na média de 2011 ficou em 6%, menor nível desde a reformulação da pesquisa do IBGE, em 2002, aponta o economista Fabio Ramos, que destaca a pressão de serviços como consequência dessa situação. "Ninguém sabe qual é a taxa de desemprego natural, que não acelera a inflação, mas a atual está abaixo desse nível para três quartos dos economistas", diz.
Para o membro do Conselho Regional de Economia de São Paulo e também professor da FEA-USP Heron do Carmo, a queda na taxa de juros e uma expectativa de retomada da atividade no segundo semestre estão descolando as projeções de inflação do centro da meta, mas, na próxima definição do Conselho Monetário Nacional, esse cenário pode ser revertido com um forte sinal do governo: Carmo acredita que o CMN deve reduzir o centro da meta ou a banda de flutuação permitida para o IPCA, atualmente de dois pontos percentuais. "A lógica indica isso. Não se pode deixar a meta estacionada por tanto tempo".
Segundo Carmo, a inflação deve ficar em 5,1% neste ano e recuar para algo em torno de 4% a partir de 2014, mas a desaceleração poderia ser muito maior com a desindexação de contratos, alteração que ele considera pouco provável. "A desindexação acabar por morte morrida leva muito tempo. Mas ela já está diminuindo, porque a inflação já está num certo patamar há bastante tempo", observa.
Pessoa, da LCA, não acredita que a indexação possa acabar com um decreto, nem que alguma mudança no regime de metas coordenaria melhor as expectativas de longo prazo do mercado. "O que determina expectativas de inflação tem muito mais a ver com a atividade econômica corrente", opina. O analista também sugere uma alternativa para o modelo de reajuste de serviços públicos, que, embora não sejam mais atrelados ao Índice de Preços Geral - Mercado (IGP-M), ainda tem cláusulas que preveem alterações tarifárias periódicas.
Fonte: Valor Econômico/ Arícia Martins - 10/02/2012
 


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