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Mercado futuro de commodities ainda é pouco acessado por agricultores

Temendo um enxugamento do crédito agrícola para regiões onde a seca derrubou parte da produção, agricultores preferem trocar produtos e se endividar com cooperativas a trabalhar com contratos futuros , nos quais recebem parte dos valores da produção antecipada. Comum em outros países com um mercado de commodities pujante, contratos para até três safras futuras são negociados nas bolsas de derivativos. No entanto, este mercado ainda é insipiente no Brasil e, quando somado à falta de conhecimento dos produtores, os contratos são considerados como um passivo de risco por quem compromete parte daprodução para cumprí-los.
Segundo o produtor Taylor Marostica, existem boas ofertas, mas ele só assina com parte da produção garantida ou com um alto estoque do ativo. “Há dois meses surgiram contratos de soja pagando até R$ 48, mas não aceitei porque as plantas ainda estavam muito pequenas. Se desse algo errado, comprometeria muito minha colheita”, afirma Marostica. Por coincidência, o mesmo produtor espera que o produto alcance o mesmo preço no mercado físico para auferir um pouco de lucro.
Constituído basicamente por fazendas familiares, a falta de especificação para o setor é uma constante na agricultura do sul do país. De acordo com a Coopa vel, a participação da agricultura familiar na região atendida pela cooperativa supera 70%.
A distância destes agricultores do mercado futuro muitas vezes é justificada por profissionais da área pela aversão ao risco de um segmento que ainda não foi desmistificado. “Agora, com uma geração mais nova de agricultores, esse panorama pode mudar. Acho que é uma cultura antiga trabalhar apenas com o produto físico. Talvez com mais alguns anos, isso melhore. Quanto mais estudado for o produtor, mais mercados ele tenta explorar”, afirma um pecuarista presente na Show Agro, que acontece em Cascavel, no Paraná.
Segundo o ex-fazendeiro, agora funcionário, Alberi Pedro Cortese, o mercado futuro nunca funcionou para ele. “Não tinha conhecimento. Era um mercado muito distante para nós mais velhos. Quem tem conhecimento, os mais jovens, não querem trabalhar na lavoura. Eles querem ir pra cidade”, lamenta.
Uma prática comum do setor é a troca de produtos. Uma forma rudimentar, chamada de swap, é feita para trocar sementes e fertilizantes adquiridos pelas cooperativas pelo produto final, comumente provenientes dos estoques dos agricultores. “Há um medo do compromisso, por isso também o produtor foge do mercado futuro. Com a cooperativa, que está aqui há anos ele sente mais confiança. Fazemos trocas que viabilizam a produção e não temos problemas em negociar futuramente caso algo dê errado com a safra”, explica Rudinei Carlos Grigoletto, vicepresidente da Coopavel.
Para driblar a escassez de recursos financeiros para garantir o plantio da safra de verão 2012/2013, muitos produtores estão apostando na safra de inverno do milho. Com o pouco dinheiro que ainda possuem, trabalham com o chamado milho “safrinha” até a colheita entre julho e agosto. “A única coisa que o agricultor sabe fazer, é plantar. Ele vê alternativas apenas na agricultura”, diz Grigoletto.
Alguns produtores, visualizando perdas acima de 60% da produção de soja, já partiram para a safrinha mesmo antes de colher os produtos. “Já tem gente refazendo a terra e deixando de colher. É uma maneira que eles encontraram para reverter um pouco do prejuízo”, comenta Marostica.
Fonte: Brasil Econômico - 09/02/2012


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