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Fluxo cambial para o país já soma US$ 11 bilhões no ano

Janeiro foi um indicativo de que, mais uma vez, o Brasil está no radar do grande volume de recursos à solta pelo mundo em busca de boa rentabilidade. Após três meses no negativo — saída líquida de U$S 3,09 bilhões entre outubro e dezembro de 2011 —, o movimento se reverteu. O fluxo de dólares ao país aumentou significativamente fazendo com que o saldo cambial ficasse positivo em US$ 7,28 bilhões no primeiro mês de 2012. A tendência parece a mesma em fevereiro com ingresso líquido, ou seja, descontadas as saídas, de US$ 3,7 bilhões nos primeiros três dias do mês.
A análise, tanto do governo quanto de economistas de mercado, é da continuidade da vinda de recursos, seja pelo apetite dos investidores estrangeiros que compram papéis de empresas brasileiras ou mesmo investimentos produtivos e aplicações financeiras.
O forte crescimento do ingresso de dólares no Brasil foi o gatilho para a volta das atuações do Banco Central (BC) no mercado de câmbio. Está novamente em ação a “operação engorda” das reservas internacionais. O próprio presidente do Banco Central já deu recado: “as reservas são moderadas para o tamanho da economia brasileira”. Leia-se: vamos comprar dólares.
Tombini faz a comparação do volume de reservas em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) de outras economias emergentes ou maduras (veja o quadro). Mas não é só isso. Ele analisa o próprio movimento dos países para amenizar a valorização excessiva de suas moedas frente ao dólar em um ambiente de extrema liquidez, causado pelos grandes movimentos de relaxamento monetário nos EUA seguidos pelo Banco Central Europeu. A preocupação com os exportadores, que perdem competitividade com o dólar baixo, persiste.
Neste cenário, o BC deve seguir com sua política quantitativa, com leilões de compra de moeda, e as reservas tenderão a ficar bem mais robustas do que os 14,2% do PIB projetados para o fim de 2011. No entanto, o arsenal não se resume às compras do BC. Elevações do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) não são descartadas, caso a entrada de dólares seja analisada como excessiva, mas não no curto prazo.
Segundo Eduardo Velho, economista-chefe da Prosper Corretora, os movimentos de compra e venda da moeda americana que a autoridade monetária fez nos últimos dois anos levou os analistas de mercado a desconfiar que o BC trabalha com uma banda cambial. Estaria fixada entre R$ 1,70 e R$ 1,90 e, assim, todas as vezes em que o real tendesse a se aproximar desses extremos, a intervenção ocorreria.
“Com as atuações que o BC fez e vem fazendo novamente esse patamar ficou bem mais claro”, diz Velho, ressaltando que, como consequência, teremos mais reservas internacionais.
“O acúmulo de reservas é justificável pela questão conjuntural”, defende Luiz Otavio de Souza Leal, economista-chefe do banco ABC Brasil, concordando que o mundo vive, sim, uma guerra cambial como avaliou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para falar sobre a estratégia de desvalorização das moedas chinesa e americana em prol de suas exportações.
Para Leal, nos próximos 12 meses a tendência é de mais liquidez no mundo, principalmente se houver arrefecimento dos riscos que rondam os países europeus. “O Brasil é muito atrativo para o capital estrangeiro”, diz. “Se o calote da Grécia for organizado, reduz-se a tensão, e a liquidez vai aumentar. Virão mais dólares para cá tanto de investidores como pelo resultado da venda de papeis de empresas brasileiras no exterior", complementa Velho.
Fonte: Brasil Econômico/ Simone Cavalcanti - 09/02/2012
 


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