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Juro em queda amplia demanda e estimula captações domésticas

As empresas brasileiras aproveitaram as condições favoráveis de mercado neste início de ano para acelerar a captação recursos com a emissão de títulos de dívida. Mesmo com a grande quantidade de operações em curso, a demanda dos investidores continua grande. O movimento é impulsionado pela perspectiva de continuidade da redução da taxa básica de juros (Selic), explicitada na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom).
Em janeiro, as captações domésticas atingiram R$ 6,7 bilhões, o que representa um aumento de 28,6% em relação ao mesmo período de 2011, de acordo com dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Nos próximos meses, mais de R$ 7 bilhões devem vir a mercado, incluindo captações bilionárias de nomes como BNDESPar, Cemig e Brasil Telecom.
As operações recentes dão uma amostra do apetite do mercado. Com forte procura, que superou a oferta em quase quatro vezes, a empresa de shopping centers BR Malls elevou a captação em debêntures, inicialmente prevista em R$ 300 milhões, para R$ 405 milhões, com a colocação dos lotes suplementar e adicional, conforme apurou o Valor. A companhia também conseguiu derrubar a taxa que pagará pelos papéis. Na série atrelada ao DI, a sobretaxa caiu de 1,20% para 0,94% ao ano, enquanto que os papéis atualizados pelo IPCA renderão juros anuais de 6,40%, também abaixo do teto de 7,20% estabelecido pela companhia.
Em busca de recursos em meio a um processo de consolidação, o setor de shoppings foi um dos destaques nas emissões de janeiro. Além da BR Malls, a Iguatemi também foi a mercado no mês passado e realizou uma emissão bem sucedida de R$ 300 milhões.
O movimento de queda dos juros estimula mais empresas a vir a mercado, afirma Leandro Miranda, diretor do Bradesco BBI, banco que liderou o ranking da Anbima de originação de operações de renda fixa em 2011. "Com a perspectiva de Selic a um dígito, vários projetos de investimento passam a fazer sentido", destaca.
Do lado dos investidores, a sinalização de que os juros continuarão a cair impulsiona a procura por papéis privados, que pagam um prêmio em relação aos títulos públicos, de acordo com o executivo. Na maior parte das emissões, essa sobretaxa é prefixada, o que garante uma rentabilidade adicional em um cenário de juros mais baixos.
Com os benefícios tributários dados pelo governo, as empresas dos setores ligados à infraestrutura devem ter uma presença maior entre os emissores no mercado de capitais doméstico, diz a advogada Marina Anselmo Schneider, sócia do escritório Mattos Filho. Desde dezembro de 2010, os investimentos em debêntures de projetos de infraestrutura feitos por estrangeiros e pessoas físicas estão isentos de imposto de renda (IR). A medida, porém, precisava ser regulamentada pelos ministérios, o que vem ocorrendo apenas nas últimas semanas.
Mesmo com todo o otimismo, as emissões de títulos de dívida no mercado local ainda estão restritos a nomes com classificação de risco mínima ‘AA‘, em escala nacional. Algumas captações recentes, como a da Autometal, que obteve rating ‘A+‘, enfrentaram dificuldades e tiveram as condições alteradas. A expectativa, porém, é de que o processo de queda dos juros force os investidores a aceitarem um pouco mais de risco em troca de uma rentabilidade mais atrativa.
Fonte: Valor Econômico/ Vinícius Pinheiro - 08/02/2012
 


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