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Acordo da dívida grega pode ser insuficiente para reerguer o país

Um acordo para a Grécia se submeter a mais austeridade e reformas estruturais, se aprovado, poderá reduzir o risco de calote desordenado em março. Mas será insuficiente para evitar a piora dos problemas econômicos e fiscal no país, acreditam analistas.
Apesar da pressão generalizada, o primeiro-ministro grego, Lucas Papademos, e os líderes dos três principais partidos políticos (social-democratas, conservadores e ultra direita) atrasaram
de novo o fechamento do pacote, empurrando para hoje uma tentativa de acordo para persuadir os credores a financiar o segundo pacote de socorro de €130 bilhões.
O atraso sobre cortes extras de €3 bilhões ampliaram temores de que a Grécia pode fazer o calote em março. Reclamando da ‘‘humilhação agressiva‘‘ que a Grécia sofreria, um dos líderes políticos, o ultraconservador George Karatzaferis, diz que o país precisa ter a segurança de que a austeridade que está sendo exigida pelos credores internacionais vai tirar o país da crise econômica.Milhares de gregos protestaram de novo contra corte de despesas e aumento de impostos, paralisando bancos, transporte público, escolas e boa parte de hospitais.
Parceiros europeus querem que o pacote de reformas seja concluído até 15 deste mês para dar tempo de acertar o acordo ‘‘voluntário‘‘ de bancos credores na redução da dívida grega. Sem um amplo acordo, a Grécia será incapaz de pagar €14,4 bilhões que vence no próximo mês.Em meio a dúvidas sobre a forma exata do acordo em negociação em Atenas, analistas ‘‘suspeitavam‘ que alguma forma de compromisso será alcançado para evitar as consequências do calote grego em março.
No entanto, a expectativa é de que, mesmo se a Grécia receber a primeira parcela de novo pacote financeiro, podendo pagar os títulos de dívida em março, persiste o risco de colapso desse acordo.Nos próximos meses, a Grécia precisará cumprir uma série de exigências para ter acesso a segunda parcela do pacote de socorro. Ocorre que as perspectivas econômicas continuam sombrias, e o objetivo de reduzir o déficit público de 9,5% do PIB para 4,7% este ano é considerado ambicioso demais.
Ou seja, a troika que cada vez mais domina a Grécia - FMI, Banco Central Europeu e Eurogrupo (ministros de finanças dazona do euro)- já teve de flexibilizar algumas exigências para liberar o empréstimo e poderá ter de fazer isso de novo, apesar da exasperação da Alemanha.
Outra possibilidade é de eleitores gregos rejeitarem as condições do segundo pacote de socorro financeiro, em abril, se uma eleição geral ocorrer, como está previsto. Significa que o atual governo poderá partir mais cedo do que se espera.
No caso de o BCE recusar fornecer a bancos gregos enormes empréstimos, será o colapso do sistema financeiro grego, empurrando de vez o país para fora da zona do euro.Na União Europeia, as divergências sobre a Grécia aumentam. O primeiro-ministro da Holanda, Mark Rutte, vê menos risco de contágio da crise da dívida na zona do euro se a Grécia abandonar a moeda única.
Já o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, insistiu que o custo da saída da Grécia é maior do que apoiar o país.
O encontro do primeiro-ministro grego e os líderes dos três partidos que formam a coalizão de governo sobre um novo acordo de ajuda financeira para o país, agendado para ontem, foi adiado novamente para a manhã desta quarta-feira,segundo um funcionário do governo.
Fonte: Valor Econômico/ Assis Moreira - 08/02/2012


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