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Cresce nos EUA a percepção de que país se descola da crise na Europa

A tese de que os Estados Unidos poderão se "descolar" da crise europeia ganhou destaque nos últimos dias com a divulgação de novas estatísticas que mostram uma recuperação acima da esperada da maior economia do mundo. O país está sendo beneficiado pelo fluxo de capitais que aporta nos títulos do Tesouro americano para fugir do risco europeu, afirmou ontem o economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), Olivier Blanchard.
Quem usou essa expressão - descolamento - foi o prêmio Nobel de economia Paul Krugman, em uma nota publicada no seu blog no site do jornal "The New York Times". Para ele, é altamente questionável afirmar que a iminente recessão na Europa vai ter impacto
significativo nos EUA. "Não aconteceu um descolamento em 2008-2009, mas aquele foi um desastre histórico", escreveu Krugman. "Desta vez, poderá ser diferente."
As perspectivas para o crescimento da economia americana entraram em viés de alta com a divulgação, na última semana, de dados que mostram a criação de 243 mil postos de trabalho no país em janeiro, o que levou à queda do desemprego, de 8,5% para 8,3%. As projeções do FMI são de que a Europa vai ter uma recessão moderada, com uma contração de 0,5% neste ano, enquanto que para a economia americana vai se expandir 1,8%.
O termo "descolamento" foi muito usado em 2008, quando as economias emergentes pareciam ter uma força própria que as protegia da crise imobiliária nos principais países desenvolvidos. Mas a ideia de um descolamento foi rapidamente abandonada no fim daquele ano, a partir da quebra do banco Lehman Brothers, que espalhou a crise financeira para todo o planeta.
Krugman cita uma série de dados, compilados pelo banco Wells Fargo, que mostram que as exportações para a Europa representam pouco da economia americana - na média do país, 2% do Produto Interno Bruto (PIB), embora em alguns Estados, como a Geórgia, ultrapasse 4% do PIB.
Krugman, porém, faz uma série de ressalvas ao seus argumentos sobre o "descolamento", como afirmar que os laços com a Europa não são apenas comerciais, mas também financeiros. "Se a Europa causar um evento do tipo Lehman Brothers, pertubando os mercados financeiros em todo o mundo, suspendem-se as apostas [em um descolamento americano]", afirmou.
Krugman não é o único a apontar uma certa resiliência da economia americana em relação à Europa. "Há uma percepção por aí de que a crise não resolvida na Europa está tendo um grande impacto na economia americana", afirmou Blanchard, do FMI, em evento ontem do Carnagie Endowment for Internacional Peace, um centro de estudos de Washington. "Não estou certo disso."
Segundo Blanchard, de um lado bancos europeus estão diminuindo as suas operações nos Estados Unidos, o que contribui para aumentar os juros de certas operações. Mas, de outro lado, o agravamento da crise também produziu uma migração de capitais para os Estados Unidos, em busca de um porto seguro nos títulos do Tesouro americano, o que contribuiu para derrubar os juros de longo prazo.
"As incertezas na Europa diminuíram em até um ponto percentual os juros de longo prazo nos Estados Unidos", afirmou Blanchard.
Ele também faz a mesma ressalva de Krugman: se algo extremo ocorrer na Europa, os Estados Unidos não estarão imunes, porque o contágio irá se dar por vários canais diferentes.
"O colapso do euro seria catastrófico para o mundo e para os Estados Unidos, em particular", afirmou o Uri Dadush, diretor no Carnegie Endowment, durante o mesmo evento.
Apesar dos recentes dados favoráveis, disse Blanchard, há vários fatores que conspiram contra um crescimento dos Estados Unidos próximo do potencial, como a retração dos consumidores americanos, que estão poupando para pagar dívidas, e a contenção nos gastos públicos.
Fonte: Valor Econômico/ Alex Ribeiro - 07/02/2012
 


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