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Uso de títulos de risco para garantir captação atinge nível de 2008 nos EUA

O uso de títulos de dívidas de baixa qualidade em um importante mercado de financiamento nos Estados Unidos voltou aos níveis anteriores à crise, alimentando temores de que o chamado sistema bancário paralelo ("shadow banking") esteja ficando mais arriscado.
O mercado de recompra ("repo market") é uma parte importante do setor bancário paralelo, que abrange atividades e instituições financeiras desregulamentadas.
No mercado de recompra, os bancos usam a securitização de valores mobiliários como garantia para empréstimos de curto prazo tomados de administradores de fundos e outros tipos de investidores.
O mercado desempenhou papel central no desenvolvimento da crise financeira de 2008. Os bancos usaram os chamados ativos "tóxicos", como empréstimos de baixa qualidade reagrupados, para conseguir trilhões de dólares em financiamentos de baixo custo.
Quando a bolha imobiliária dos EUA estourou, os parceiros comerciais dos bancos se recusaram a continuar aceitando tais papéis como garantia e o mercado de recompra se retraiu rapidamente.
Um estudo da Fitch Ratings indica que, agora, as dívidas reagrupadas e usadas como garantias em transações de recompra voltaram aos níveis pré-crise.
O uso de empréstimos reagrupados pode aumentar o risco no mercado de recompra, segundo a agência de classificação de risco de crédito, já que esses papéis podem ter tendência a desvalorizações repentinas, como se observou em 2008.
"Esses são ativos menos líquidos, de maior prazo, financiados no curto prazo por credores altamente avessos a risco", disse Robert Grossman, chefe de análise macroeconômica de crédito da Fitch Ratings. "Em um período de turbulência, todas as partes da [operação de] recompra seriam afetadas", acrescentou, referindo-se a que tanto a bancos como a fundos de investimentos.
Cerca de 20% das garantias usadas em transações atualmente têm origem das "finanças estruturadas", ou seja, de empréstimos reagrupados, segundo o informe da Fitch.
Cerca de metade das dívidas reagrupadas consiste de hipotecas residenciais de maior risco, incluindo as chamadas "subprime".
É difícil de identificar o motivo por trás do ressurgimento do mercado, segundo a Fitch. Pode ser reflexo da escassez de valores mobiliários mais seguros ou da necessidade de assegurar financiamento a partir de seu estoque de ativos. "Poderia ser reflexo do descongelamento das finanças estruturadas", disse Grossman. "Mas também poderia ser uma estratégia para aumentar o rendimento ou ainda uma combinação de fatores."
Os fundos de mercado monetário ("money market"), cujos modelos de negócios estão sob pressão diante das taxas de juros extremamente baixas, poderiam aceitar dívidas de maior risco como garantia para seus créditos de curto prazo, porque assim gerariam maior retorno.
De acordo com a Fitch, as operações de recompra garantidas por dívidas estruturadas normalmente rendem mais de 50 pontos-base. As que são garantidas por títulos do Tesouro dos EUA ou por papéis de agências respaldadas pelo governo podem até ser consideradas mais seguras, mas rendem apenas 5 e 15 pontos-base, respectivamente.
O estudo da Fitch é baseado em operações de recompra de aproximadamente US$ 90 bilhões, a partir de dados recolhidos dos dez maiores fundos de mercado monetário nos Estados Unidos.
O atual mercado de recompra dos EUA vale US$ 1,6 trilhão e muitos dos fundos menores apenas aceitam papéis garantidos pelo governo, como os títulos do Tesouro, em troca de seus empréstimos.
O Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) criou uma força-tarefa para trabalhar em um plano que reduza o risco sistêmico no mercado de recompra e reduza sua dependência em relação ao J.P. Morgan Chase e Bank of New York Mellon, os maiores bancos de compensação no sistema de recompra tripartite dos Estados Unidos.
Ainda assim, alguns não acham que o uso de finanças estruturadas no mercado de recompra automaticamente eleve os riscos.
"O desempenho básico de muitos desses acordos vem sendo excelente e mostrando grande estabilidade ao longo da crise", disse Mark Hale, diretor de investimentos da Prytania Investment Advisors. "Se a melhora na confiança se disseminar ainda mais, então o uso de finanças estruturadas poderia se tornar uma força positiva, que se autofortalece, aliviando as pressões sobre o sistema financeiro e as condições de crédito para empresas e consumidores."
Fonte: Valor Econômico/ Financial Times/ Tracy Alloway
 


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