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Dólar em baixa chama BC para jogo do câmbio

Uma queda de mais de 8% em 24 pregões chamou o Banco Central (BC) de volta ao mercado de câmbio.
Na sexta-feira, a autoridade monetária comprou moeda a termo pela primeira vez desde 26 de julho de 2011.
De bate-pronto, é de se imaginar que o BC atua para absorver o fluxo de recursos externos e/ou que tenta defender a linha de R$ 1,70. São argumentos válidos, mas a avaliação pode ir um pouco além.
Se o "problema" no câmbio fosse fluxo efetivo - entrada de moeda estrangeira no país -, o BC poderia ter atuado no mercado à vista.
Além disso, o fluxo cambial até 27 de janeiro (último dado conhecido) estava em US$ 6,50 bilhões, soma considerável, mas nada que já não tenha sido visto antes no mercado local.
A questão em pauta seria um "jogo de expectativas". O mercado espera muito fluxo futuro e vende dólar já. A compra de dólar a termo pelo BC não deixa de ser um instrumento pelo qual a autoridade monetária consegue avaliar o quanto desse fluxo futuro de divisas "existe" e o quanto não é o próprio mercado operando em cima de suas expectativas.
Para o professor e economista da PUC-RJ, André Cabus Klotzle, essa atuação do BC já era esperada para neutralizar o forte fluxo financeiro previsto para as próximas semanas, em especial o dinheiro da Petrobras, que fechou operação de USS 7 bilhões.
"Outras empresas também devem lançar bônus. Assim, as entradas até o fim de março serão expressivas, o que justifica leilões a termo para o fim do primeiro trimestre. Outros leilões certamente ocorrerão nas próximas semanas, visando equilibrar o fluxo futuro. Dessa forma, as compras à vista talvez não fossem tão eficazes neste sentido, pois o que mexe no preço são as expectativas, e essas devem ser neutralizadas", explica Klotlze, acreditando que novos leilões já "estão contratados".
O diretor da NGO Corretora, Sidnei Moura Nehme, explica que a atuação do BC no mercado a termo e não no mercado à vista ocorreu em função da necessidade de se dar liquidez ao mercado de cupom cambial (DDI, o juro em dólar).
A dinâmica aqui seria a seguinte: os bancos estão absorvendo o fluxo de recursos externos que ingressa no país. Com isso, carregam posições compradas no mercado à vista.
Toda a vez que um banco compra moeda à vista, vende moeda no mercado futuro. Com isso, a instituição "zera" sua exposição cambial, conforme recomenda a boa prática.
O fato é que esse aumento na oferta de dólares valoriza o real em um momento em que as taxas de juros futuros também apontam para baixo. Então, os dois componentes do cupom cambial (juro e câmbio) são pressionados para baixo simultaneamente.
A queda do cupom teria chegado a tal ponto que não atrai contraparte para operar com os bancos no mercado futuro.
Segundo Nehme, esse quadro poderia travar o mercado. Por isso, a ação do BC pode ter sido estratégica, visando evitar esse problema.
O BC vai a mercado e compra moeda a termo, o que ajuda dar liquidez ao cupom cambial e permite que os bancos sigam absorvendo o fluxo externo e zerando suas posições no mercado futuro.
Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), a taxa do FRA de cupom cambial para maio chegou subir a 1,80%. Mas conforme o dólar voltou a cair, a taxa fechou o dia estável a 1,55%.
Esse efeito sobre o mercado de derivativos de câmbio também é valido segundo a análise de Klotzle. "Assim, pode-se dizer que a atuação do BC atingiu dois propósitos em uma única ação: drenou o fluxo futuro e forneceu liquidez em derivativos aos bancos", diz o professor.
De certa maneira, complementa Klotzle, um terceiro objetivo também foi alcançado. A compra à vista evitou que a moeda caísse, ao menos por ora, abaixo de R$ 1,70.
Como não poderia ser diferente, o leilão do BC trouxe instabilidade ao mercado.
O dólar chegou a operar em alta com o anúncio da operação, ficando descolado do sinal externo, onde outras moedas emergentes registravam alta.
Mas no decorrer da tarde, o receio com a possibilidade de nova atuação perdeu força e as vendas voltaram a ocorrer.
Com isso, o dólar comercial caiu 0,29%, a R$ 1,717 na venda. Na semana, a moeda perdeu 1,27% e acumula queda de 8,13% em 2012 (ver gráfico abaixo).
Na BM&F, o contrato de dólar com vencimento em março perdia 0,14%, a R$ 1,7285, antes do ajuste final de posições.
Na semana que começa, destaque para as decisões de política monetária do Banco Central Europeu (BCE) e do Banco da Inglaterra (BoE). Por aqui, o foco estará voltado ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de janeiro.
Fonte: Valor Econômico/ Eduardo Campos - 06/02/2012
 


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