Você está em: Assessoria Econômica > Notícias

Assessoria Econômica

Notícias

Bernanke vê com cautela retomada da economia

Ben Bernanke, presidente do Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA), adotou um tom de cautela com relação à saúde da economia do país em sessão de esclarecimentos ao Congresso, mas não deu nenhum indício de que novas medidas de estímulos a serem adotadas pelo BC possam estar próximas.
O ritmo da recuperação da economia vem sendo "frustrantemente lento" e a "expansão anêmica deixou a economia vulnerável a choques", disse Bernanke à comissão de Orçamento da Câmara dos Deputados. Mas observou: "Felizmente, nos últimos meses, os indicadores de gastos, produção e atividade do mercado de trabalho deram alguns sinais de melhora".
O tom neutro de Bernanke sugere que o Fed poderá esperar mais informações sobre os avanços da economia americana para decidir se afrouxará ainda mais a política monetária, talvez com uma terceira rodada de afrouxamento quantitativo (quantitative easing), o pacote de estímulo à liquidez do Fed, conhecido como "QE3".
"Ainda achamos, efetivamente, que o Fomc [o Copom americano] vai anunciar uma nova rodada de compras de títulos lastreados em contratos de crédito imobiliário no primeiro semestre deste ano, mas isso pode não acontecer antes de abril", disse a consultoria independente de pesquisa macroeconômica Capital Economics, após o depoimento de Bernanke.
O presidente do Fed apontou para melhoras modestas do consumo e do mercado de trabalho, mas sugeriu que o avanço será lento. "Embora os gastos reais dos consumidores tenham revelado alta moderada no trimestre passado, as famílias continuam a se defrontar com empecilhos significativos", disse ele. "Notadamente, a renda real e o patrimônio das famílias entrou em estagnação em 2011, e o acesso ao crédito continuou apertado para muitos potenciais tomadores." Ele também chamou a atenção para o desaquecimento dos investimentos das empresas devido aos problemas da zona do euro, mas disse que "há sinais de que essas preocupações estejam diminuindo um pouco".
Bernanke criticou o Congresso por não ter agido na esfera da política fiscal. "Infelizmente, mesmo depois que as condições da economia voltarem ao normal, o país se defrontará ainda com um considerável rombo estrutural do orçamento se as atuais políticas orçamentárias persistirem", disse ele.
"Para garantir estabilidade econômica e financeira, a política fiscal americana precisa ser conduzida a um caminho sustentável, que assegure que a dívida, em relação à renda nacional, permaneça, pelo menos, estável ou, de preferência, caia ao longo do tempo", disse Bernanke. "A realização dessa meta deveria ser a prioridade número um."
O presidente do Fed foi fustigado por deputados republicanos, que argumentaram que os estímulos monetários do Fed tinham empurrado para baixo os rendimentos dos bônus e, assim, reduzido as pressões para o Congresso abordar seus problemas fiscais.
"Isso não é desculpa para o Federal Reserve interferir e tentar nos socorrer, porque isso poderá ocorrer à custa da prioridade, exclusiva do Federal Reserve, de manter nossa moeda como uma reserva de valor confiável", disse o republicano Paul Ryan, o presidente da comissão.
Scott Garrett, um parlamentar republicano de Nova Jersey, criticou o Fed por transcender suas atribuições ao divulgar um relatório governamental sobre política habitacional.
Fonte: Valor Econômico/ Financial Times/ Robin Harding - 03/02/2012
 


Endereço:
Av. Paulista, 1.842 - 15º andar - conj. 156
Edifício Cetenco Plaza - Torre Norte Cerqueira César - CEP: 01310-923
São Paulo - SP
Telefone: (5511) 3288-1688
Fax: (5511) 3288-3390