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Crédito tem avanço moderado em março, ajudado por efeito cambial

O crédito seguiu crescendo em ritmo moderado em março. O saldo do sistema financeiro aumentou 1,7%, fechando o mês em R$ 2,069 trilhões. A desvalorização cambial contribuiu para tal elevação, segundo o chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central, Túlio Maciel.
A autoridade monetária não chegou a isolar o efeito da alta do dólar, que se refletiu nas operações vinculadas à moeda americana. Mas, sem esse impacto, a expansão do crédito, certamente, não teria chegado a 1,7%, reconheceu. Por outro lado, ele acredita que mesmo sem esse efeito, a expansão do crédito teria sido superior à registrada em fevereiro, que foi de apenas 0,4%.
Uma evidência do impacto da variação cambial foi o aumento do saldo com recursos livres captados no exterior, que chegou a 7,4%, bem acima da média. O nível do câmbio contribuiu para isso não só porque aumentou o valor equivalente dessas operações em reais, mas também porque ficou mais atrativo aos olhos dos exportadores, estimulando assim operações de Adiantamento de Contrato de Câmbio (ACC). O crescimento do saldo de ACCs, de 7,5%, também foi influenciado por fatores sazonais como a safra de soja. Maciel ainda chamou a atenção para o aumento de 2,4% no saldo dos empréstimos diretos do BNDES às empresas, em parte atrelados ao dólar.
A expansão do crédito foi maior nos empréstimos e financiamentos a empresas do que a pessoas físicas. A carteira com empresas aumentou 2,2% no mês passado, ao passo que o saldo das operações com as famílias subiu 1%.
Quanto à origem dos recursos, os dados do BC mostram que o crédito livre cresceu 1,7%, fechando o mês R$ 1,32 trilhão. O direcionado (de aplicação obrigatória), por sua vez, aumentou 1,6%, encerrando março em R$ 742,55 bilhões.
No acumulado do primeiro trimestre, o estoque total de operações de crédito do sistema financeiro subiu 2%, menos do que no bimestre fevereiro-março porque houve retração no primeiro mês do ano. Se esse ritmo fosse mantido, o crédito cresceria este ano menos do que os 15% projetados pelo BC. No entanto, em abril já há um novo fator de estímulo que pode acelerar o crédito: os bancos públicos reduziram os juros, forçando os privados a fazer o mesmo.
Em março, o BC já tinha detectada um recuo. A taxa média de juros, apurada pela autoridade monetária em relação à quase totalidade do crédito livre, recuou 0,9 ponto percentual, a 37,3% ao ano. Nas operações com pessoas jurídicas, a média saiu 28,6% para 27,7% ao ano, na comparação com fevereiro. Os juros cobrados das famílias também caíram, de 45,4% para 44,4% ao ano.
A redução de 0,75 ponto percentual na Selic, que baliza as taxas de captação dos bancos, ajudou. Mas não foi só isso. As instituições também diminuíram os seus spreads. A diferença entre o custo de captação e a taxa final de juros saiu de 28,5 pontos percentuais para 28 pontos percentuais no mês passado. Houve queda tanto para pessoas físicas quanto para as empresas. Os spreads situaram-se, em média, respectivamente, em 35,1 pontos percentuais e 18,4 pontos percentuais.
Os dados sobre crédito livre mostram ainda que a inadimplência caiu 0,1 ponto percentual em março, para 5,7%, embora tenha se mantido estável em 4,1% no caso das operações com empresas. A queda foi puxada pelas pessoas físicas. Nesse caso, a parcela da carteira com pagamentos em atrasos há mais de 90 dias recuou 0,2 ponto percentual, a 7,4%. A inadimplência das pessoas físicas não caía desde dezembro, quando estava em 5,7%. Houve redução apesar de a inadimplência dos financiamentos de veículos, especificamente, ter batido recorde, chegando a 5,7%, ante 5,5% em fevereiro.
Medida em relação ao total do crédito, a parcela com pagamentos em atraso acima de 90 dias também diminui 0,1 ponto percentual, para 3,7%.
Os dados de fluxo também apontaram moderação na expansão do crédito no mês passado. Considerado quase todo crédito livre, a média diária de concessões de novos empréstimos e financiamentos foi de R$ 9,166 bilhões em março, volume 2,1% superior ao de fevereiro. Mesmo com essa elevação, a média de março foi inferior à de dezembro de 2011.
As pessoas jurídicas tomaram, em média, R$ 5,524 bilhões em crédito novo, com recursos livres, por dia útil. Isso representou incremento de 7,8% sobre a média de fevereiro. Na soma dos dois segmentos, a média subiu menos porque nas operações com pessoas físicas caiu 5,3%, a R$ 3,642 bilhões.
As concessões para capital de giro, modalidade quantitativamente mais representativa do crédito às empresas, cresceram 14%, ainda pelo critério de média por dia útil. Maciel disse que esse incremento de demanda está associado a fatores sazonais e também a melhora do nível da atividade econômica no início deste ano.
Com relação à queda de 5,3% na média diária de concessões às pessoas físicas, Maciel ponderou que houve influência de fatores sazonais, embora não tenha citado quais. Segundo ele, o dado dessazonalizado apurado pelo BC indica aumento de 1,5% e não queda.
Dados parciais do BC sinalizam para abril novo aumento da média diária. Nos oito primeiros dias úteis do mês, o sistema concedeu, volume 2,8% superior ao registrado em março. O fluxo de crédito novo às pessoas físicas foi 2,5% superior ao registrado no mês passado. Para as empresas, a média diária cresceu 3,1%, ritmo mais fraco do que o de março.
Fonte: Valor Econômico/ Mônica Izaguirre/ Murilo Rodrigues Alves - 26/04/2012
 


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