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Ainda é cedo para cravar aposta em mais liquidez

À exceção da alta dos rendimentos dos títulos americanos, houve pouca movimentação dos ativos com o comunicado do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), após a decisão de manter a taxa de juros do país. Isso porque não houve indicações de mais um afrouxamento monetário nos Estados Unidos no curto prazo, apesar de o banco central ter sutilmente piorado sua avaliação do mercado de trabalho, ter reforçado a visão de preocupação com a crise na zona do euro (que havia sido minimizada na reunião de março) e seus riscos sobre a economia e de não ter sinalizado preocupação adicional com a inflação.

Em contraste, as projeções para a taxa de desemprego caíram para 2012, 2013 e 2014, e para o PIB melhoraram para 2012, mas pioraram para 2013 e 2014. De maneira geral, o tom do comunicado e da conferência do presidente do Fed, Ben Bernanke, foi de otimismo comedido.

Uma série de dados positivos precedidos por outros negativos vem embaralhando as apostas sobre o futuro da política monetária americana, mas tudo indica que o banco central esperará um cenário mais claro se consolidar antes de mudar o seu viés expansionista até, ao menos, o fim de 2014, como vem reiterando em seus documentos. Uma mudança antes disso só se daria com uma virada substancial no cenário. Mas chamou a atenção o fato de sete membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) esperarem agora alta de juros em 2014 - dois a mais que na reunião de março.

O relatório também mostrou que nove dos 17 membros do Fomc veem agora uma taxa de juros em 1% ou menos no fim de 2014. Anteriormente, nove membros disseram que antecipavam uma taxa de juros em 0,75% ou menos no mesmo período. Para o economista-chefe de Estados Unidos do HSBC, Kevin Logan, essa é uma mudança importante porque mostra que o comitê está menos "dovish", ou seja, menos agressivo na sua política monetária.

"Isso não afeta os mercados agora, já que esse é um cenário distante e muita coisa pode acontecer até lá, mas sugere que a possibilidade de mais afrouxamento monetário diminuiu no curto prazo", analisa Logan.

A economia americana parece não estar tão bem a ponto de se retirar totalmente os estímulos, nem tão ruim para ampliá-los com urgência. Nesse sentido, além de não se poder esperar um QE3 ("Quantitative Easing", que se refere à terceira rodada de afrouxamento monetário) no curto prazo, também não há indicações de que a chamada "operação twist", um programa de US$ 400 bilhões para troca títulos de curto prazo por outros de longo prazo, possa ser renovada. A operação, que foi posta em prática em setembro do ano passado, terminará em junho.

De acordo com o economista-chefe do HSBC, Bernanke avaliou que os ganhos de mais afrouxamento monetário podem não valer os riscos neste momento. "Ele acredita que a política monetária está acomodada e que fazer mais agora pode mexer na taxa de inflação, criando riscos para a credibilidade do Fed."

De toda forma, Bernanke não excluiu nenhuma opção do cardápio de estímulos em sua fala, e tudo dependerá do comportamento da economia daqui para frente. A conferir.

Na Europa, o mercado se animou com o afrouxamento das restrições de crédito na zona do euro, divulgado pelo Banco Central Europeu (BCE). Com isso, o euro subiu e a libra caiu em relação às principais moedas - a moeda britânica vinha sendo refúgio nas últimas semanas, especialmente em função das tensões políticas crescentes na zona do euro.

Isso porque, ao mesmo tempo, foi anunciada uma contração do Produto Interno Bruto (PIB) preliminar do Reino Unido no primeiro trimestre. Com a queda de 0,2% do produto, o Reino Unido entra novamente em recessão. O dado pode ser revisado, mas evidencia a dificuldade dos países em saírem do ciclo de desalavancagem - restrições fiscais e crescimento pífio.

A economia britânica cresceu menos que quase todos os seus pares no G-7 durante a crise, mas também foi a primeira a combatê-la com pacotes de austeridade, coisa que a zona do euro passou a fazer apenas no ano passado. Uma forma de explicar esse desempenho do PIB é a sua grande dependência do setor financeiro. Portanto, com o estouro da crise, sua desalavancagem foi um choque adverso e forte para a economia.

Olhando para a política monetária, o Banco da Inglaterra (BoE) se depara com uma inflação que vem se mantendo teimosamente acima da meta. Além de ser um movimento global em consequência da elevação dos preços de energia, a inflação reflete também a alta de impostos no Reino Unido, no âmbito do programa de ajuste fiscal, o que, em tese, limitaria as ações de afrouxamento quantitativo. No mês de maio, o BoE concluirá seu programa de recompra de ativos de 325 bilhões de libras e, a despeito da quase unanimidade dos membros em não ampliá-lo, não se pode descartar uma mudança de estratégia no curto prazo se a urgência de reavivar a economia se impor.
Fonte: Valor Econômico/ Roberta Costa/ Carolina Oms - 26/04/2012
 


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