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Novo perfil dificulta previsão de inadimplência

Os bancos podem até tentar, mas como bem sabem os profetas, prever o futuro não é tarefa das mais fáceis. Que o diga o Itaú, que viu uma salto inesperado da inadimplência corroer seus resultados. "Houve uma redução do crescimento do país, o que não era esperado", disse Rogério Calderón, diretor de relações com investidores do Itaú Unibanco.
A consequência é que os modelos de análise de risco de crédito, ferramenta estatística usada pelos bancos para projetar a inadimplência das carteiras, passam por revisão. "Os modelos são sempre revisitados. Essa desaceleração do crescimento já nos levou a uma mudança do modelo no fim de 2010 e início de 2011. Reduzimos a aprovação de cartão de crédito e de financiamento de veículos, por exemplo", disse.
O caso do Itaú serve de exemplo para um problema que atormenta o sistema bancário brasileiro: como adaptar os modelos de análise de crédito a um mercado que é radicalmente diferente do visto no passado?
"Nos últimos anos, o mercado de crédito passou por uma mudança estrutural grande. As alterações dos modelos precisam acompanhar essas transformações", diz o professor Alberto Borges Matias, da Universidade de São Paulo. No coração dessa mudança, ele posiciona a entrada das classes C e D no mercado e a concentração do sistema em poucos participantes.
Como os modelos de risco são essencialmente baseados no passado, fica difícil acertar em meio às mudanças qual é o perfil do tomador que vai dar calote. Segundo um executivo da área de crédito de um grande banco brasileiro, a onda de novos participantes do sistema financeiro, com um comportamento distinto do observado historicamente, exige que as instituições financeiras refinem as modelagens no critério de renda. "A arte está em calibrar seu apetite de risco. Não é sempre que se acerta nessa medida", diz.
"Sistemas que explicavam a inadimplência com maior enfoque no desemprego já não funcionam. Algumas variáveis do passado já não se aplicam", diz Wermeson França, economista da LCA Consultores. Ele acredita que o comprometimento da renda deve ganhar espaço como critério usado na concessão de empréstimos.
É justamente esse critério que vem sendo reforçado no financiamento a veículos. Se em 2010, os bancos costumavam exigir que o cliente tivesse uma renda superior a três vezes o crédito contratado, hoje essa relação é de quatro vezes, conta Antonio Carlos Altheim, da concessionária Volkswagen Corujão, em Curitiba.
A mudança no perfil da classe média também é um fator que dificulta a previsão de calote. "A antiga classe média tinha sempre um lastro para fazer caixa. Era um segundo carro, um terreno, um dinheiro com parente... A classe média de hoje recorre a mais crédito quando falta dinheiro no caixa", diz Nicola Tingas, economista-chefe da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi).
Fonte: Valor Econômico/ Felipe Marques - 25/04/2012


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