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Itaú diz que calote vai frear queda maior em suas taxas de juros

O aumento da inadimplência no Itaú Unibanco irá frear a redução nas taxas de juros para os clientes. De acordo com o diretor de controladoria, Rogério Calderon, a expectativa é que o nível dos atrasos comece a se estabilizar apenas no final do ano.
“Se a inadimplência melhorasse, permitiria uma redução mais acentuada”, justificou o executivo, ontem, ao comentar os resultados da instituição no primeiro trimestre.Na semana passada, os bancos privados anunciaram reduções pontuais nas taxas de juros em resposta à pressão feita pelo governo federal por spreads menores, movimento iniciado pelos bancos públicos. Para o executivo, com maior calote, as reduções ficam limitadas a, no má- ximo, os cortes da taxa Selic.
Já era esperado para o início de 2012 um aumento de inadimplência, mas com expectativa de estabilização até meados do ano e depois uma redução gradual. Esse é o caso do Bradesco, que divulgou seu balanço no dia anterior. No entanto, na avaliação do Itaú, a estabilidade vai demorar mais para chegar.
A taxa de inadimplência (atrasos acima de 90 dias) no banco chegou a 5,1%, acima dos 4,9% registrados em dezembro e dos4,2% de igual período de 2011. Segundo Calderón, na pessoa jurídica — incluindo pequenas e médias empresas, que deflagraram o movimento de alta nos calotes no ano passado —, já há indícios de estabilidade. Já entre as pessoas físicas a indicação é de que os atrasos seguem em crescimento, em especial na carteira de veículos, modalidade em que o Itaú é líder. “É interesse de todo mundo que os juros sejam menores, mas é necessário que isso seja feito com absoluta racionalidade”, disse.
O aumento da inadimplência levou a gastos maiores nas provisões com devedores duvidosos, a exemplo do que ocorreu com o Bradesco. No Itaú, essa despesa somou R$ 6,03 bilhões entre janeiro e março, uma elevação de 37,7% em relação ao primeiro trimestre do ano passado. Esse fator foi determinante para a queda do lucro do Itaú no primeiro trimestre, de 2,9% na comparação com igual período do ano passado. De janeiro a março, o resultado foi de R$ 3,43 bilhões.
A repercussão não foi boa nas ações do banco na BM&FBovespa. As preferenciais fecharam ontem em queda de 1,07%, a R$ 23,60. Foi o pior desempenho entre os grandes bancos no dia em que o Ibovespa fechou em alta de 0,70%. Para os analistas do Barclays, Roberto Attuch e Fabio Zagatti, “vai ser difícil sustentar a expectativa de melhora no curto prazo até que haja sinais mais claros de que a inadimplência se estabilizou”.
Para o economista da Lopes & Filho Consultoria, João Augusto Salles, o Itaú vai se concentrar no controle da inadimplência, mas não irá desviar a atenção do que ocorre na concorrência e em próximos movimentos de reduções de juros. “Os bancos privados vão ter que reduzir os juros, mas não vai ser na mesma velocidade do que está sendo promovido pelas instituições públicas”, disse.
Segundo Calderon, a inadimplência, além de não permitir cortes nas taxas, reduz também o spread líquido dos bancos, que é a diferença entre custo de captação e juros cobrados, incluindo aí os gastos com provisões para devedores duvidosos, ou seja, a margem de ganho. Nesse critério, o spread teria caído de 8% em dezembro para 7,4% em março. Nível que também é inferior aos 8,3% de igual mês do ano passado. “A inadimplência é um ponto maior de atenção para o banco agora.
”Para a Fitch Ratings, o custo do crédito será determinante para o desempenho do sistema bancário no Brasil. Isso porque as margens estão em queda gradual — de 7,9% em 2007 para 6,2% em 2011. “Qualquer deterioração nas tendências de custo de crédito, particularmente em relação à perspectiva de piora das margens, pode pressionar a lucratividade da indústria e levar à revisão do perfil de crédito dos bancos brasileiros.
”Fonte: Brasil Econômico/ Ana Paula Ribeiro - 25/04/2012
 


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