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Déficit com o setor externo recua, mas tendência é de alta

O balanço das transações de bens e serviços do Brasil com outros países fechou o primeiro trimestre do ano com déficit de US$ 12,11 bilhões, volume menor do que o do mesmo período do ano passado (US$ 14,78 bilhões). No entanto, a melhora é paliativa e o resultado negativo deve se aprofundar nos próximos meses por causa do aquecimento da economia, diz o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel.
“A expectativa de crescimento gradual ao longo do ano levará a um aumento da demanda por bens e serviços do exterior e isso impactará o saldo das transações correntes”, disse, ressaltando que já em abril isso pode ser observado uma vez que, até o dia 20, o déficit já era de US$ 5,2 bilhões, salto em relação a março (US$ 3,32 bilhões). “Nossa estimativa é a de que o resultado seja negativo em US$ 68 bilhões em dezembro, mas está tudo dentro do esperado.’ Justamente por isso, segundo Maciel, esse montante não significa preocupação porque é financiado pela entrada de Investimentos Estrangeiros Diretos (IED), cuja previsão do BC para 2012 chega a US$ 50 bilhões.
A redução do déficit nos primeiros três meses do ano foi influenciada por diversos fatores. Pela ótica da entrada de recursos, os ingressos de IED surpreenderam em março. A expectativa era de US$ 4 bilhões, mas a soma foi de US$ 5,9 bilhões, alcançando US$ 14,9 bilhões no acumulado do ano. E, até o fim da semana passada, haviam ingressado mais US$ 3,4 bilhões. Pesa ainda a balança comercial com superávit de US$ 2,43 bilhões —exportações de US$ 55,08 bilhões e importações, US$ 52,64 bilhões no trimestre.
Na avaliação de Maciel, a valorização do dólar frente ao real reduziu as viagens e gastos de brasileiros no exterior, principalmente em março. “A conta de serviços teve um comportamento atípico, de recuo, e o câmbio influenciou o resultado porque a conta sofre quase imediatamente com a variação do dólar”, disse Maciel.
O movimento também contribuiu para retrair a remessa de lucros e dividendos das subsidiárias estrangeiras no país — reflexo da atividade econômica mais fraca e, portanto, a menor rentabilidade das empresas. Pelos dados do BC, entre janeiro e março saíram do país para as matrizes US$ 1,97 bilhões, volume muito inferior aos US$ 6,47 bilhões de igual período de 2011.
Os dados sobre as remessas de lucros e dividendos invariavelmente respondem à rentabilidade das empresas com defasagem. Por isso, a estimativa é que essa conta ficar mais negativa a partir do momento em que as empresas aufiram seus lucros e os remetam para fora.
Fonte: Brasil Econômico/ Simone Cavalcanti - 25/04/2012
 


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