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ABBC Destaca

Permanência do estímulo monetário

No comunicado da decisão pela manutenção da meta Selic em 6,5% a.a., o Copom assinalou as duas direções para o balanço de riscos para a inflação. Indica que por causa do elevado nível de ociosidade, crescem as chances de que a inflação prospectiva seja menor que a antecipada. Com o crescimento econômico inferior ao do produto potencial, o hiato deverá permanecer elevado por um bom período. A ancoragem das expectativas beneficia-se, ainda, dos recentes choques favoráveis nos preços de combustíveis e energia na inflação corrente e das medidas de núcleo em níveis confortáveis. Essas circunstâncias elevam a probabilidade de que a taxa de juros seja mantida ao longo de 2019.
 
O crescimento das apostas nesse sentido está refletido no Boletim Focus, com a postergação da expectativa do aumento da taxa de juros para ago/19 (no início de novembro era previsto para mai/19). Segundo o Banco Central, com a Selic encerrando 2018 em 6,50% a.a. (R$/US$ 3,78), elevando-se a 7,50% a.a. em 2019 (R$/US$ 3,80) e a 8,00% em 2020 (R$/US$ 3,80), os números calculados indicam que a inflação estaria em torno de 3,9% em 2019 e 3,6% em 2020. No cenário com juros constantes em 6,5% a.a. e taxa de câmbio em R$/US$ 3,85, as projeções situam-se em torno de 4,0% para 2019 e 2020. Resumindo, os números encontram-se plenamente alinhados às metas de 4,25% e 4,0% para os dois próximos anos.
 
Mantida a lenta reação da atividade e do nível de preços, o debate acerca do grau de estímulo monetário ganhará relevância no próximo ano. Com a implementação do teto dos gastos e os novos contornos nas concessões de crédito direcionado, muitos analistas apregoam que o juro de equilíbrio da economia já tenha se reduzido. Assim, com a atual taxa real de juros próxima desse patamar, o grau de estímulo propiciado pela política monetária seria menos pronunciado, o que conferiria oportunidade para um corte adicional na taxa Selic. Essa premissa ganharia força, na hipótese das reformas estruturais materializarem-se de forma célere.
 
Como nas reuniões anteriores, o balanço de risco do Copom mostrou a assimetria para a elevação da inflação, por causa das incertezas quanto ao andamento das reformas e da deterioração do cenário para economias emergentes. Implicitamente, pelos efeitos desses fatores no comportamento da taxa de câmbio. Adicionalmente, sem especificar os motivos, a mensagem sublinhou o arrefecimento do papel das frustações com a consolidação fiscal nos prêmios de risco.
 
No que tange à taxa de câmbio, a economia deve velejar enfrentando os ventos incertos advindos do exterior. São preocupantes os impactos da desaceleração da economia chinesa nos preços das commodities, que pode ser potencializada com o agravamento da tensão comercial com os EUA. Outro fator relevante refere-se ao risco imposto por uma nova rodada de apreciação do dólar no mercado internacional. Porém, a sinalização do Federal Reserve de que a taxa de juros já está próxima do nível neutro é positiva. Adicionalmente o desaquecimento da economia norte-americana pode diminuir a pressão sobre o dólar, o que favoreceria as moedas dos países emergentes.
 
No curto prazo, é razoável esperar que o efeito de um aumento na aversão ao risco será mais significativo nos prêmios de risco no apreçamento dos ativos financeiros do que na inflação e na economia real. Em 2019, a inflação deverá responder fundamentalmente às circunstâncias conjunturais da atividade econômica. O provável aquecimento da atividade pelo fortalecimento do sentimento de confiança e pela melhora nas condições financeiras não gerará pressões pelo lado da demanda, com pouco espaço para recomposição de margens pelas empresas.

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