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ABBC Destaca

Tudo como antes?

Mesmo que permeadas por amplas incertezas, as condições atuais ainda prescreveram uma taxa de juros abaixo da considerada como neutra. O balanço de risco favorável foi ratificado com a deflação de 0,09% no IPCA de agosto, indicando que os efeitos da paralisação na trajetória de preços foram pontuais. Mesmo considerando-se as demais informações pertinentes a essa análise, o Copom interpretou que a trajetória futura da inflação é compatível com a convergência à meta no horizonte relevante (2019), o que permitiu a manutenção da taxa básica de juros em 6,50% a.a..
 
Ademais, o ritmo de recuperação da atividade econômica é frustrante, como apontou a revisão para baixo da série histórica do PIB e o crescimento de apenas 0,17% no 2T18. Adicionalmente, as pesquisas do IBGE de julho mostraram retrações mensais de 2,22% no setor de Serviços, de 0,54% no Comércio Restrito e de 0,22% na Produção Industrial, nas séries dessazonalizadas. O elevado hiato do produto reduz as chances de que haja, no curto prazo, uma pressão pelo lado da demanda.
 
Entretanto, uma premissa implícita na decisão merece atenção. Mais especificadamente, as dúvidas referentes à magnitude e duração do atual choque cambial, e os seus eventuais impactos nas expectativas inflacionárias e no aumento no nível de preços. No comunicado, o Banco Centrou assinalou que com juros constantes a 6,50% a.a. e taxa de câmbio constante de R$/US$ 4,15, as projeções se situariam em torno 4,5% para 2019, o que já abriria a janela para a elevação da Selic em um momento próximo.
 
As respostas concretas dependerão da evolução dos prêmios, que por sua vez estarão atreladas à evolução do endividamento público no próximo governo e também do contágio do cenário externo, associado à redução do apetite ao risco, à normalização monetária e às tensões no comércio global. Por fim, houve mudança no tom da mensagem da autoridade monetária, com a sinalização de que o estímulo começará a ser removido gradualmente conforme ocorra uma deterioração do balanço de riscos. Apesar da relativa apreensão que essa alteração surtiu, não houve uma efetiva novidade em relação aos fatores delineados no balanço de risco nas últimas reuniões. O futuro continuará dependendo dos prêmios na precificação dos ativos, das expectativas e do repasse da taxa de câmbio nos preços, em uma economia desaquecida.

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