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Alternativa ao modelo padrão para risco de mercado

Com o objetivo de solucionar deficiências do arcabouço da abordagem denominada como “Basileia 2.5”, em janeiro de 2016, o Comitê publicou um documento consultivo (Simplified alternative to the standardised approach to market risk capital requirements) em que promove a revisão dos requerimentos mínimos de capital para o risco de mercado. Entre os problemas que mereceram tratamento encontram-se: (1) a ausência de critérios claros na definição dos ativos que compõem as carteiras bancária e de negociação, de modo a restringir a possibilidade de arbitragem regulatória; (2) a baixa sensibilidade ao risco da abordagem; (3) as limitações da utilização das medidas de valor em risco (VaR) que não levam em consideração os valores extremos de perda; e (4) a consideração do risco de liquidez. Este tema também foi objeto de discussão pelo Banco Central, realizada no início de agosto.
 
Com a revisão, todas as instituições deverão calcular o seu capital com base na abordagem padrão (SA), que servirá como um piso para os modelos internos (IMA), cuja utilização continuará condicionada à aprovação do supervisor bancário. Como elementos fundamentais, a SA apresenta: (1) Sensitivities-based Method (SbM), com o requerimento de capital baseado na sensibilidade aos fatores de risco; (2) Standardised Default Risk Charge (DRC) que endereçará o risco de crédito da carteira bancária; e (3) Residual Risk Add-On (RRAO) que buscará capturar os riscos não avaliados no SbM ou DRC.
 
Como elemento primário, o SbM aponta uma estrutura que pode ser aplicada uniformemente para um amplo espectro de bancos em diferentes jurisdições, sendo suficientemente sensível ao risco. No entanto, a sua complexidade pode representar desafios de implementação para instituições que não apresentam foco nas atividades de carteira de negociação e/ou que tenham limitações em termos de infraestrutura para computar o SbM, de modo que pode vir a se revelar não apropriada para a implementação em instituições com exposição de risco menos complexa.
 
Objetivando contornar esse entrave, o BIS divulgou um documento consultivo que apresenta uma proposta de uma alternativa mais simplificada ao SbM para aquelas instituições que apresentam uma estrutura de risco menos complexa. O modelo baseado em sensibilidades reduzidas (R-SbM) destina-se a enfrentar esses desafios de implementação. Assim, no cálculo do capital, são removidos os riscos de vega (risco derivado de variações na volatilidade para opções) e de curvatura (risco derivado de movimentos nos preços, baseados em dois cenários extremos de choque de alta e de baixa dos fatores de risco), é simplificado o cálculo do risco de base e é promovida uma redução da granularidade dos fatores de risco e dos cenários de correlação.
 
A aplicação do R-SbM estaria sujeita à aprovação da supervisão e ficaria facultada aos bancos que atendam a determinadas condições de elegibilidade. Como critérios qualitativos, as instituições não poderão ser G-SIB ou D-SIB, não podem emitir opções, nem utilizar modelo interno, e não podem deter posições ativas em negociações de correlação. Em termos quantitativos, (1) a somatória dos ativos, passivos e valor bruto de derivativos não poderia ser maior que € 1,0 bilhão; (2) os ativos ponderados pelo risco de mercado devem ser inferiores a 5% do total; e (3) o valor nominal dos derivativos de balcão da carteira de negociação deverá ser menor do que um limite ainda a ser estabelecido.
 
O Comitê receberá os comentários acerca do documento consultivo até o dia 27 de setembro de 2017. Entre os aspectos em questão, está a adequação dos critérios de elegibilidade e das simplificações realizadas. Outro ponto sinalizado é o da avaliação das instituições no que tange à manutenção de uma versão recalibrada da abordagem de Basileia 2.5 em relação ao modelo R-SbM. Ademais, o intuito do Comitê é o de efetivar a alternativa simplificada à abordagem padronizada de risco de mercado simultaneamente à implementação da abordagem SA. Em agosto, o Comitê desenvolverá uma versão simplificada do algoritmo para instituições que normalmente não participam de estudos de impacto façam as suas avaliações. A expectativa é de que a versão final seja entregue em março de 2018 e que ambas as abordagens entrem em vigor juntamente com a revisão dos requerimentos de capital para o Pilar 1, em 2019. 
 
Para ler o documento consultivo do BIS, clique aqui.
Para ver a apresentação do Banco Central, clique aqui.

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