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ABBC Destaca

Câmbio atenua a assimetria

O balanço favorável dos riscos da inflação permitiu que o Copom mantivesse a taxa básica de juros em 6,50% a.a.. A súbita recuperação do real em relação à reunião anterior favoreceu a ancoragem das expectativas inflacionárias para o prazo relevante para a política monetária. No cenário com juros constantes a 6,50% a.a. e taxa de câmbio constante a R$/US$ 3,7, as projeções divulgadas pelo Banco Central sinalizam uma inflação de 4,2% para 2019, 0,3 p.p. abaixo do número calculado no encontro anterior quando o dólar valia R$ 4,15.
 
Esse movimento atenua a assimetria das trajetórias possíveis da inflação, reduzindo a probabilidade de que ocorra a elevação da Selic no curto prazo. Contudo, o Copom assinala o peso de dois fatores de risco: (1) o impacto da evolução das reformas nos prêmios de risco e (2) a deterioração do cenário externo para economias emergentes. No primeiro aspecto, o governo eleito deve ganhar uma trégua para tratar adequadamente as questões fiscais. Todavia, as incertezas originadas pelo processo de normalização monetária nos países avançados, aumento do grau de protecionismo no comércio e o esgotamento do ciclo de expansão global merecem atenção.
 
Mesmo com a depreciação do real, até então, o repasse cambial nos preços não se mostrou elevado, de modo que a inflação corrente tenha permanecido estável, graças ao comportamento dos preços livres (2,6% a.a.). As medidas de inflação subjacente encontram-se em níveis apropriados, inclusive nos bens mais sensíveis ao ciclo econômico. Contudo, há preocupações com a inflação dos preços dos administrados (10,4% a.a.), mais especificamente, o de energia elétrica residencial e o de combustíveis.
 
A lenta recuperação da atividade econômica e o elevado nível de ociosidade dos fatores de produção momentaneamente não permitem vislumbrar pressões pelo lado da demanda. Mas, é compreensível esperar que em melhores condições para a atividade, seja possível a recuperação das margens de lucro com a transmissão da elevação dos custos nos preços ao consumidor, o que levaria ao aumento inflação e, consequentemente, a um aperto monetário. Resumindo, com o novo balanço de riscos, estendeu-se o horizonte temporal para a remoção do estímulo monetário. O futuro continuará dependendo da evolução dos prêmios na precificação dos ativos financeiros, das expectativas inflacionárias e do repasse da elevação dos custos, em uma economia que ainda se mostra significativamente desaquecida.

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