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Comentários sobre o Relatório de Estabilidade Financeira - Out/2017

Com ênfase nos riscos e nas perspectivas para o sistema bancário, o relatório de estabilidade financeira do Banco Central apresenta o panorama recente dos indicadores mais relevantes. O primeiro semestre de 2017 foi marcado pela recuperação cíclica da economia, pela forte queda da taxa de inflação e da taxa básica de juros. Ao mesmo tempo, evidenciaram-se alguns sinais positivos no mercado de crédito, principalmente nas concessões para as famílias. Já o processo de desalavancagem das empresas e os critérios restritivos na concessão de empréstimos diante da piora na qualidade das carteiras refletem-se no desempenho ruim desse segmento.

Os níveis de liquidez das instituições financeiras apontam patamar confortável que atenderia a um aumento de demanda de recursos com o aquecimento da economia, mas também para eventuais choques de liquidez. No semestre, a queda da liquidez do sistema foi motivada pela redução do estoque dos ativos líquidos, com a redução das captações e o aumento dos desembolsos em cenário de estresse por perdas motivadas pela migração de uma parcela de estoque de operações compromissadas com títulos próprios para fundos e outros ativos fora do SFN. O alongamento dos vencimentos das captações e o encurtamento do prazo residual das operações de crédito com as condições mais restritivas nas concessões indicam uma melhoria para o nível de liquidez de longo prazo.

Os indicadores de riscos de crédito apresentam evolução distinta. Enquanto a taxa de inadimplência média das carteiras mostra-se comportada, há aspectos negativos como o aumento das reestruturações e o estoque elevado de ativos problemáticos. O Banco Central entende que pela adversidade do cenário econômico, a constituição líquida das provisões é satisfatória, o que contribui para a mitigação do risco para a estabilidade financeira.

A piora na qualidade do crédito é mais evidente nas empresas de grande porte, com aumento da sua participação dos ativos problemáticos, com destaque para os setores de “Transportes”, “Construção, Madeira e Móveis” e “Varejo”. Nos financiamentos imobiliários das famílias, esse tipo de ativo apresentou aumento relevante. Como consequência, houve intensificação no processo de baixas a prejuízo e de retomada de imóveis.

Houve no período redução da quantidade de instituições com rentabilidade abaixo da proxy para taxa livre de risco, embora esse total ainda permaneça elevado. Os resultados foram favorecidos pelo crescimento da margem líquida, por conta da redução do custo de captação com a queda da Selic e das despesas de provisão. Contudo, a remuneração dos estoques deverá também se reduzir, tornando-se necessário o aumento da demanda do crédito para manutenção do bom resultado de intermediação financeira dos bancos. O Banco Central assinala que a superação deste cenário dependerá da retomada do crescimento do crédito e da revisão dos modelos de negócios dos bancos médios.

Ao longo do semestre, a solvência do sistema apresentou indicadores consistentes. A base de capital foi fortalecida pela incorporação de resultados, emissões de instrumentos elegíveis a Capital Nível II e ligeiro recuo dos ativos ponderados pelo risco, particularmente os de crédito. A necessidade projetada de capital para a plena implementação de Basileia III em 2019 reduziu-se pela metade. Em linha, a projeção do Índice de Basileia, considerando a plena implementação de Basileia III, apresentou crescimento de 1,3 p.p. em relação a dez/16, atingindo 15,5%.

O nível de concentração para as operações de crédito aproxima-se bastante do que é considerado elevado pela abordagem de Herfindahl-Hirschman, com a participação de mercado das quatro maiores instituições aproximando-se de 78,6%. Após a crise de 2008, as fusões, aquisições e privatizações contribuíram para a elevação da concentração. Espera-se que uma melhora no ambiente econômico doméstico possa ajudar a aumentar a concorrência.

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