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Por que os mercados subestimam o risco?

Nos últimos dias, além de sinalizar um provável aumento da taxa de juros básica ainda em 2017, o Federal Reserve anunciou um programa de redução gradual do seu balanço patrimonial. Todavia, os desdobramentos no mercado não se assemelharam aos verificados em 2013, quando foi finalizado um dos programas que compunham o “Quantitative Easing”. A divulgação da notícia produziu um pânico com impactos significativos na precificação de ativos de risco. Particularmente à economia brasileira, o desempenho positivo tem uma combinação de eventos externos favoráveis, como: (1) a queda na taxa de juros de longo prazo nos EUA; (2) a depreciação do dólar frente às principais moedas; e (3) a aceleração sincronizada do crescimento global.

No que tange às condições financeiras dos EUA, os mercados não antecipam um aperto monetário mais intenso, de modo que o cenário básico é favorável não só ao Brasil, mas também aos mercados emergentes. O que é corroborado pela substancial redução do déficit em conta corrente. Qualquer alteração nesse quadro pode ter impacto relevante na gradual recuperação da economia brasileira que se esboça. Assim, os fatores de risco à estabilidade financeira internacional merecem consideração. Em artigo, o economista Jeffrey Frankel, de Harvard, assinala que esses possam estar subestimados, pois a existência de um número grande desses fatores aumenta as chances de que pelo menos um possa se concretizar nos próximos anos.

O índice que mede a volatilidade das opções de ações do S&P500 oscila em níveis muito próximos aos observados em março de 2007, às vésperas da crise subprime. Nesses momentos, os investidores procuram rentabilidade em ativos mais arriscados. O economista aponta como primeiro grande risco a explosão de uma bolha no mercado de ações em alguns países, cujos índices atingiram níveis recordes em setembro. Destaca, também, o risco implícito no mercado de títulos com o longo período de baixa taxa de juros, superior até ao das ações, como alertou Alan Greenspan. Também, não se esqueceu do crescimento do risco geopolítico.

Frankel argumenta que na última crise, o colapso estava fora de qualquer distribuição de probabilidade padrão que pudesse ter sido estimada a parti de dados passados, tratando-se de um fenômeno “cisne negro”, como denominado por Nassim Taleb. Adiante, mostra uma razão fundamental para que os mercados subestimem periodicamente os riscos, ou melhor, que os modelos de precificação se valem apenas de dados mais recentes. Adicionalmente, corrobora o argumento de Hyman Minsky de que, inexoravelmente, um período de baixa volatilidade seduz os investidores, levando-os a uma falsa sensação de segurança e uma maior alavancagem. Como conclusão, Frankel sugere que os riscos sejam reavaliados. Contudo, se a história servis como guia, isso não acontecerá até que o risco efetivamente se materializar.

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